quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Lillian Gish, a Lady do Cinema Americano


Lillian Diana de Gish, mais conhecida como Lillian Gish, nasceu na cidade de Springfield, em Ohio nos Estados Unidos, no dia 14 de outubro de 1893. Se pai James Lee Gish era alcoólatra e devido a decadência econômica da sua família, ela e sua irmã Dorothy, decidiram pela carreira artística. Contando com apenas 5 anos de idade, estreou no teatro, ao lado de Dorothy Gish, na peça Convict’s Stripes.  Aos 15 anos, no ano de 1912 estreou o seu primeiro filme “The Musketeers of Pig Alley”, um filme mudo de curta-metragem, dirigido por David W. Griffth, com a duração de cerca de 17 minutos. Foi também em 1912 que estreou junto de sua irmã em “O inimigo invisível” (An Useen Enemey). O dinheiro obtido através de sua atuação nesse e em outros filmes de curta-metragem amenizou, razoavelmente, a situação econômica de sua família. Esse filme seria apenas o primeiro de muitos outros sucessos de Lillian, muitos deles dirigidos por D.W. Griffith. Sob a direção de Griffith, Lilian atuou em cerca de 40 películas, que lhe renderiam o título de “A Lady do Cinema Americano” ou “ A Primeira Dama do Cinema Mudo”. Estrelou em 1915 o filme “O Nascimento de Uma Nação” (The Birth of a Nation), e “Intolerância” (Intolerance), de 1916, que alavancaram a sua carreira de atriz. Ela foi, numa época onde os atores e atrizes faziam caras e bocas em filmes, uma atriz inovadora pela maneira de sua atuação profunda e impecável, além de ter uma beleza frágil e angelical, símbolo de heroínas frágeis e destemidas que interpretou. As irmãs Gish são até hoje os maiores ícones do folclore americano no cinema mundial.
Gish protagonizou ao lado de Richard Barthelmess em 1919 o filme “Lírio Quebrado” (Broken Blossoms), um filme de baixo custo de produção, que nos dias de hoje é considerado como apenas uma peça de teatro filmada, devido a utilização de apenas dois sets de filmagens. Esse filme de David W. Griffith é totalmente oposto a O Nascimento de Uma Nação que foi um filme de altíssimo custo e grande sucesso de bilheteria.
Lillian e Dorothy Gish, como Louise e Henriette, em "Orphans of the Storm", em 1921. 
Cartaz promocional do filme "Orphans of the Storm", 1921. 
No ano de 1920, dirigiu sua irmã e seu cunhado na comédia “Remodeling her Husband”. Infelizmente o primeiro filme dirigido por Lillian perdeu-se, não restado nenhuma cópia. Ainda em 1920, durante as gravações de “A Inocente Pecadora” (Way Down East), há uma cena em que a personagem de Lillian, chamada Anna Moore, está em fuga de seu suposto marido, e cai em um rio congelado e desmaia sobre um pedaço de gelo flutuante. Os blocos de gelo tiveram de ser feitos de madeira, já que na região onde o filme foi gravado não havia gelo nessa época do ano, porém contudo a atriz machucou sua mão direita devido á um pequeno acidente nas gravações dessa cena. Em 1921, as irmãs Gish protagonizaram um drama, na direção de Griffith, intitulado “As Órfãs da Tempestade” (Ophans of the Storm), já em longa-metragem, que narra a história de duas irmãs de criação, Louise e Henriette que vivem uma separação dolorosa e tem como pano de fundo a Revolução Francesa. “O Vento” (The Wind) em 1928 foi o primeiro filme em que Lillian atuou sob a direção de outro diretor, Victor Sjöström.
Lillian Gish ao lado de Lars Hanson, em "The Wind" (1928)
No ano de 1927, Alan Crosland produziu o primeiro filme de longa-metragem parcialmente falado: “O Cantor de Jazz” (The Jazz Singer), o que levaria a indústria dos filmes mudos ao declínio. Os filmes mudos haviam sido grande sucessos nas décadas de 1900, 1910 e 1920, tendo sido alguns ainda gravados na década de 1930. Como advento dos filmes sonoros, Lillian passa a se dedicar ao teatro na Broadway. Em 1931 atuou no filme “His Double is Life”.
Lillian, ao contrário de muitos artistas da era do cinema mudo conseguiu manter-se brilhantemente atuando nos filmes sonoros na década seguintes, não só em filmes, mas em programas televisivos. Passou a atuar como coadjuvante, nunca tendo ataques de estrelismo, sempre como a mesma simplicidade e meiguice de sempre. Foram alguns outros de seus filmes: “Duelo do Sol” (Duel in the Sun), em 1947, “A Noite do Caçador” (Night of Hunter), em 1955 e “O Passado não Perdoa”, em 1960.
Lillian recebendo Oscar Honorário em 1968. 
Lillian jamais casou-se ou constituiu família. Escreveu sua própria biografia em 1968, no mesmo ano que sua irmã e companheira de uma vida toda Dorothy morreu. Lillian cuidou de sua irmã durante meses a fio, até seu último suspiro de vida. Nunca ganhou o Oscar, mas ganhou um Oscar Honorário por sua contribuição ao cinema no ano de 1971, além de muitos outros prêmios.
Seu último trabalho em um filme foi “Baleias de Agosto” (The Wales of August), em 1987, aos 93 anos, onde interpretou Sarah,uma simpática senhora, ao lado de outros dois grandes atores do cinema mundial: Bette Davis e Vicent Price.
Lillian quando lançou sua biografia, em 1968. 

Lillian Gish em seu último papel, como Sarah Webber, em "Baleias de Agosto", em 1987. 
A grande atriz Lillian Gish, morreu aos 99 anos, de causas naturais, em 27 de fevereiro de 1993, na cidade de Nova York, deixando um vasto trabalho nas telas de cinema por mais de 85 anos.




 Pesquisa e Texto: Erasmo Pinheiro.





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