quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Libertar-se de si mesma.


Cortou-se no intuito de sanar sua dor.
Escorreram gotas de sangue quente, como pétalas de vermelha rosa
Despencadas com calor.

Sopro gelado d’alma
Vinha beijar seus lábios
Roubando-lhe o último suspiro de calma
De um sonho nunca vivido, nem da velha música jamais cantada.
De seu castelo de cartas,
Que o vento intempestivo, num sopro cruel desmanchou,
Só restou sua tristeza amontoada.

Vagueando pelos céus na madrugada fria e solitária
Buscando a luz da manhã
Com sua avidez totalitária
A fim de emanar sua luz interior
Liberta-se de suas trevas

Ateias e pagãs.

Pinheiro, Erasmo.
1° distrito de Piratini, 10 de dezembro de 2013.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Diário de Manuela, 01.

Pelotas, 23 de setembro de 1902.

Hoje está um lindo dia. Um dia onde o cantar dos pássaros, faz morada nas luzes imanadas pelos raios do Sol. Ah suave canto.
Hoje, tudo foi como sempre foi, ocorrendo da maneira mais natural possível, a mim.
Um pensamento me assaltou pela manhã, pouca antes de levantar-me da cama. Um desses pensamentos que surgem do nada e vai se desenrolando pelo infinito da minha mente velha e cansada.  Fui, e sou uma completa louca, como atestam os meninos que passam por aqui, todas as manhãs. Sim uma louca! Ninguém em pleno gozo de suas faculdades mentais espera quase 60 anos por um homem que sabe que já morto, seria impossível de retornar aos seus braços.  Canso-me de repetir para mim mesma que aquele romance já passou. Porém, há algo dentro de mim, como uma chama que teima em continuar acessa, não me deixa pensar em desistir. Mas desistir do quê?
A vida, para mim não seguiu seu curso normal. Não culpa da própria vida, mas minha, só minha.
Sempre cultivei dentro de mim essa esperança, de que um dia ele voltaria para os meus braços, e sorriria e sua doce voz diária: Eu voltei Manuela! Com o passar do tempo, sua imagem, sua voz, foram sendo encobertas por a cerração do tempo. Todas as noites, quando fechava os olhos, eu os exprimia, para que de certa forma, conseguisse segurar dentro de mim aquelas lembranças.  Os anos foram passando e a sua imagem ia se distanciado como um trem num túnel, indo de modo reverso, sumindo para nem eu sei onde. 
E assim eu passo os meus dias, esperando que a morte me leve daqui. Lembrando-me dessas coisas, que me fizeram um dia, sentir-me viva.  Hoje em dia, nem vivo mais. Apenas existo. 

Às vezes me representa que as pessoas pensam o mesmo, que á muito estou morta. Se eu fosse parar e analisar, já faz cinco anos que ninguém vem me visitar. A última viva alma que entrou aqui perguntando por mim, foi um neto de Mariana, depois disso, nunca mais voltou. Trouxe-me notícias dos últimos parentes vivos que ainda moram por Camaquã. Como eu não tinha muito assunto, o rapaz logo se foi. A quem interessaria essas minhas histórias sovadas pelo tempo?  Contar a quem os causos da Revolução, das façanhas de Bento, e Garibaldi? Já quem ninguém se interessa, conto ao meu diário, meu velho companheiro de longa data. Ele nunca se cansará de me escutar, e nem eu, de á ele confidenciar tudo...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Nessa Estrada

Coçam-me os dedos
Em sinal de vontade
De transmitir ao papel, todos os meus segredos
Anseios, aflições, alegrias, e
Até mesmo meus medos.

Guardados entre os espinhos afiados
Tão longínquos quanto as massas do horizonte.
Vez que outra, veem-se desafiados
Pelo breu da noite.

Seguindo por tortuosa linha,
Vou indo,
Nessa estrada, que definha
Instante após instante...
Sem fim, muito menos começo,
Essa história, assim, tão simples
É tudo que lhe ofereço...

Pinheiro, Erasmo.

Piratini, 26 de novembro de 2013.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Último Romance.

Sabe aquela música que você ouve e ela é sua situação cantada? Pois no meu caso, é a música “Último Romance”, do Los Hermanos. Ela é uma das poucas músicas que me tocam de uma maneira que a voz de Marcelo Camelo, o intérprete, me soa tão bem aos ouvidos.
“Eu encontrei quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei

E até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena

Ah, vai
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia, eu levo essa casa numa sacola

Eu encontrei e quis duvidar
Tanto clichê, deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor

E só de te ver, eu penso em trocar
A minha TV, num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir aonde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar

Ah, vai
Me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém
A fim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona
Pra te acompanhar”
A música tem esse poder de nos fazer feliz ou não, trazer de volta nossas lembranças.
Último Romance, em particular, foi uma música que eu sempre gostei desde que eu comecei a entender o que é uma música. Mas á mais ou menos um ano atrás eu soube que ela era minha “música tema”.
É algo difícil de explicar, mas eu amo essa música, por que quando eu a escuto, eu vejo minha situação como um clipe musical. Na parte “Eu encontrei e quis duvidar/ Tanto clichê, deve não ser”, eu me lembro de certo dia, em novembro de 2013, quando eu olhei pro lado e dei-me de conta de quem era que eu estava gostando.
Vão se as pessoas e ficam as músicas, as lembranças.

E se o tempo for te levar eu sigo essa hora e pego carona, pra te acompanhar...

sábado, 9 de novembro de 2013

Quando o homem morre.

"Meu amor é tão profano
Louco, louco de humano!"

Raios clareiam o céu
Manchado de rubro sangue.
Eu sigo riscando palavras num pedaço de papel
Travando ferrenhas batalhas
Entre o bem e o mal.

Perdido no infinito negrume da noite
Com apenas uma chama em mãos
Resquício de coragem
Enfrento de cabeça erguida este afronte.

Não é questão de sorte
E sim de jogo vencido
Pois o fim de uma vida nem sempre é a morte
Mas sim quando o homem deixa a luz de seu sonho apagar-se
Tal que isso ocorre,
Ele apenas existe

E sua essência morre...

Pinheiro, Erasmo.
Piratini, 09 de novembro de 2013.