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sábado, 14 de setembro de 2013

Mais uma história, sem o "Final Feliz".

Fins de julho. O ano era de 1890.
Sentada á beira da janela num fim de tarde de inverno. O vento que vinha galopando pelas coxilhas do Pampa, agora adentra as janelas do velho sobrado. Sim, aquele velho sobrado no centro de Pelotas, fronteado para a praça da igreja, serve de residência para a velha senhora de cerca de 80 anos.
A única companhia que a vida lhe deixou, foi a própria solidão, que se mantinha fiel á ela. Presente em todos os momentos de sua vida, desde que ela tinha 17 anos. Desde então sua vida se tornou insólita e vazia, deixando- a viver como um ser vazio.
Seus olhos azuis foram à última beleza que a vida por devaneio talvez, não lhe tirou. Estes eram sempre, nos fins de tarde, presos na imensidão do horizonte. Procuravam, aquele rapaz, que a tantos ano havia deixado de fazer parte de sua vida. Deixado talvez não, pois ele sempre vinha visitar ela, quando esta fechava suas pálpebras, desejando com todas suas forças que ele estivesse ali, dentro de um mundo só dela. Era apenas fisicamente ausente.
 Um mundo aonde, ele ainda vinha lhe ver, com aquele sorriso doce, que somente ele sabia esboçar.
O vento frio transpassava sua pele enrugada e seus cabelos fracos e tordilhos pelo rigor dos anos. Balançava as cortinas de seu quarto. Sabia que o frio lhe faria mal a saúde, já debilitada pela idade. Mas nada mais lhe importava. Talvez queria mesmo que a ceifa da morte lhe tragasse a vida.
Não tinha nada mais a desejar da vida. Faziam quase 63 anos que havia se despedido de seu único amor. E aquela imagem era, em sua lembrança tão nítida, mesmo havido transcorrido mais de meio século. Era um dia de Sol, numa manhã. Ainda sim podia sentir novamente sua respiração acelerar, e suas mãos tremerem. Aquele dia havia fica marcado para sempre, como um divisor de águas, que dia após dia, ia lhe matando. Mas que por maldade divina não lhe matava de uma vez só. Se bem que cada dia que vivemos, é um a menos que temos de vida. Foi uma difícil despedida.
Eram bons amigos. Uma dessas amizades que surgem do nada e se tornam a cada dia mais forte. E ela, a pobre moça, teve a sublime e infeliz sorte de se apaixonar pelo amigo. É, assim do nada, um dia notou que amava incondicionalmente seu amigo. E não se via mais sem ele por perto. Olhava, desde então o mundo com os olhos brilhando, inundados deste amor.
Um moça, que já era, desde muito nova, prometida pelos pais á uma primo que morava distante dali. E este amigo, agora á ela confidenciava suas desventuras amorosas. E ela sofria junto dele, em silêncio, e nada podia falar. Sabia que o coração dele era do mundo, das artes, era livre. E aquilo foi somente crescendo dentro dela. Havia encontrado aquele que sempre havia habitado seus sonhos, os mais magníficos sonhos.
A cada dia que conhecia-o mais, mais tinha certeza de que era ele quem moraria dentro de seu peito para toda sua vida.
Foi á época mais feliz da vida dela. A época em que sentia flutuar sentia seus pulmões se encherem de ar e dar ânimo ao sua alma.  Na simplicidade de seu amor, somente de tê-lo presente em suas manhãs, já era uma vitória sem preço. Agora ela, no fim de sua vida, podia perceber que aquele amor viera em sua vida, talvez somente para suprir a falta de amor que vinha de seus pais, Porém, quando ela estava no apogeu de seu sentimento pelo moço, seus caminhos tomaram rumos diferentes.
Nos primeiros dias após tão dolorosa despedida, não passava um dia sem chorar, até cansar. Preferia fugir, para algum lugar onde não tivesse ninguém. Sentia certo ódio das pessoas todas, por não serem como seu grande amor. 
O desespero foi tanto, que em inúmeras vezes ela tentou suicídio. Remédios em altas dosagens, sufocamento, e até afogamento, foram tentados por ela, nas suas tentativas de burlar o sofrimento gerado pela falta de seu amor.  Seus pais, agora entendendo o que a filha mais moça queria, trancafiaram no quarto, eliminando todos os objetos que ela podia usar para se matar, deixando-a como uma doente perigosa. Logo, cerca de dois meses depois, ela começou a aceitar a realidade dos fatos, que a vida continuava.
E assim foram os anos, vagarosos, passando. Mas ela, por ainda certo efeito desse amor, se mantinha esperançosa, que ainda iria viver o amor com o moço. Uma loucura, insana um tanto. Então a realidade, foi aos poucos se assentando em sua ideia. Viva dias bem alegre e falante com as pessoas de sua casa. Noutros, fechada e silenciosa, remoendo aquela angústia ingrata. 
O tempo foi passando, e seus pais resolveram que assim como ela desejava, iria ser solteira para o resto da vida.  Temiam que o casamento forçado lhe fizesse mal á saúde mental.
Assim aos poucos teve de se despedir de seus entes queridos. Primeiro os pais, depois os irmãos.
O sobrado da família foi se esvaziando. Deixando espaço a uma nova moradora: a solidão,que seria sua eterna companhia.
Apenas os criados ali ficaram junto dela. Mas pouco se viam. Ela passava o dia todo no quarto, escrevendo seus anseios em diários. Mal comia e tão pouco saia de casa, isto que só fazia em caso de extrema necessidade.
Os anos continuavam a passar e passar. Havia cerca de 20 anos que ela não sabia uma notícia de seu amado. Isso era a mais dolorida das feridas. Uma ferida na alma. Uma dor fina e intrínseca.
Lamentava cada novo dia que nascia. Lamentava toda noite que chegava ao fim. Lamentava ainda estar viva. 
Nem a beleza e a sensação de renascer das primaveras lhe animavam mais. Logo vinha os longos invernos, solitários naquele sobrado. 
Da janela ela observava as pessoas que perambulavam pelas adjacências da sua casa. Eram figuras cinzas, sem beleza alguma, vistas por ela. Alguns debochavam dela, chamando de louca e outros apelidos maldosos, á velha moradora do sobrado.
Era uma vida sem vida. 
Um dos únicos lugares que ainda podia sair e que suas forças lhe permitiam ir, era aos sepultamentos dos parentes e conhecidos. Logo voltava para casa e lá se trancafiava, junto das lembranças do passado, estas quais lhe mantinham viva.
Sentia que era covarde, por nunca ter dito á ele, do que sentia. Por não ter fugido de casa, se o caso fosse necessário. Mas ter sim lutado até perder suas forças pelo seu sentimento amoroso. Porém agora não adiantava mais lamentar e se torturar. O baú do tempo havia sido selado e eternamente fechado.
Pensando nisso tudo, a velha senhora, sorri. Sim, sorri. Sorri, pelo fato de ter amado. Pelo fato de ter sentido aquele sentimento inexplicável. Por ter sentido seu sangue pulsar mais forte. Por ter tido um amor, daqueles que fazem as pessoas sentirem-se plenas e completas, só pelo simples fato de amar.
Levanta-se, agora, de sua cadeira de balanço e cerra a janela. Respira fundo e sente que ao fim daquele dia cinzento de inverno, pôde renascer. Renascer de suas próprias cinzas. Pois somente pode renascer das cinzas de seu coração, aquele que ardeu ao Sol, de uma paixão. 

domingo, 14 de julho de 2013

A última poesia.

A última poesia...
Com o resto de inspiração que tenho,
Depois te mais uma vez ter meu coração despedaçado,
A dor por meio de estas palavras demonstrarem que tenho,
Ainda um coração, um encouraçado.

Tua voz, que antes era uma doce melodia,
Depois de tuas maldosas palavras,
Hoje em dia,
Não passam de palavras vazias.

Pensei que fosses te sentir feliz por alguém te amar tanto,
Mas não.
Sentiu nojo e desprezo,
Mas eu não reagi com espanto,
Não queria aceitar.

A última poesia...
Carregada de dor,
Mas também
De ardor.
Vai ser a minha última,
Pois não tenho o combustível
Do amor.

Sim, necessitava de alguém para ser minha inspiração!
E era tu...
Tu que nunca vai dar o merecido valor,
Para essa minha inquietação,
Esse tão forte sentimento
Do fundo de meu coração.

Acabaram-se as esperanças, os dias incontáveis,
As longas esperas,
As noites inconsoláveis.
Acabou a admiração,
Entrou-se tudo em exaustão.

A última poesia...
Com o que restou de mim,
Depois de um massacre,
Chegou ao fim
Minha inspiração.
Secou a fonte,
Secou minha alma.
Mas agora sim
Consigo ter calma.

Era não minto,
A luz do meu caminho.
Mas a luz se apagou,
E agora no escuro continuo sozinho.
Perdido como antes...

Embarquei novamente no barco da solidão,
E vou velejando aos poucos sem rumo,
Em direção á escuridão.
Tenho que voltar
A viver sem razão.

A última poesia...
Minha última súplica.
Assim que aos poucos meu amor,
Por ti se desfazia,
Como um nó
Daqueles bem apertados,
Que me mantinha vivo por si só.
Meu coração
Sangrava e tu nem te importavas,
Mas se fosse ao contrário,
Daria-te meu coração
Para que não sofresses tão grande desilusão.

Agora, depois de aceitar os fatos,
Vou enterrar meus sonhos,
Numa cova bem profunda.
Queimarei teus retratos,
Tuas cartas, junto de teus olhos risonhos.

A última poesia...
Carregada de rancor,
De incertezas, por certo,
Mas também de destemor.
Vai se degradando,
Lentamente
Se definhando.

Agora, só me resta implorar aos céus para te esquecer
Sim,
Pelo menos tentar,
Sufocar este sentimento que meu peito fazia-se aquecer.
Somente levar as boas lembranças,
Que ficarão no caminho,
Como uma lança,
Que vai me ferir até a morte.
Mas a ti não,
Por sorte...

A última poesia...
Vai ser esta,
Mas juro que não queria,
Perder esta minha última alegria.
Não posso relutar para sempre,
É o destino,
Que não me guarda uma festa,
Mas sim um pesar infinito...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Adeus

Dizer adeus
Nunca queremos
Nem coisa de cristãos, nem de ateus,
Nem quando, nem como sabemos.

A saudade
De quem nos faz falta,
Na alma faz covas
Dilacera, destrói.
Mortifica
Consome, corrói.

Faz o homem ser fraco, impotente,
Diante de tamanho sofrer,
De não ter ao seu lado
Seu bem querer.
Se fosse fácil a partida,
Quando a dor se impregna,
E transborda pelos olhos,
A alma fica derretida.
O sal da verdade,
Ver quem se ama
Ficar a doce imagem no triste reflexo,
 Da saudade.

Vai indo tu em direção a um denso nevoeiro,
De repente sinto em meus olhos,
Um incurável argueiro.
Tu somes, como um fantasma, uma miragem
Algo surreal.
Só eu nesta triagem,
Tu acima do bem e do mal,
Vai embora, para tão longe...

É inevitável eu sei,
Tua partida.
Mas se eu pudesse prender dentro de mim
Tua imagem me dizendo qualquer coisa que fosse,
Reviveria todos os dias de minha vida,
Até o meu fim.
Juntaria as cinzas de meu coração,
Guardaria dentro de uma caixa,
E somente a ti daria com tamanha emoção!
Não importa o tempo que for,
Eu esperarei tua volta,
E lhe oferecerei de novo todo meu amor.

Confio que o vento trará teu aroma de flor silvestre até mim,
E despertará meu viver
Num só estopim.
Mas por vezes vejo que não é simples assim,
Não sou nem serei tão importante para ti com tu és para mim.
Mas em fim,
A saudade tua se põe com todo seu peso,
Sobre mim,
E meus ombros não são fortes para aguentar,
Por vezes sinto
Que vou fraquejar,
Não lhe minto,
É assim mesmo a saudade!

Que os bons ventos da primavera te tragam de volta,
Mas que desta vez, fiques aqui,
E tua chegada seja como Sol do alvorecer.
De toda alegria,
O renascer...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Nosso Tempo


Lá vem mais um dia
Passava tão ligeiro,
Piscava meus olhos e lá se ia.

Desde que você, por perto de mim estivesse,
Já meu dia valia.
Por mais curto que fosse,
Nosso tempo.

Nasceu, cresceu e me habita
E não á nada que digam contra,
Só ouço meu coração dizer:
-Não desista!

Se tua presença fosse constante,
Nem o ar se faria ausente.
Meu coração, nesta gaiola de dor e amor é preso
E só ao teu lado sinto ele livre,
Quebrando amarras e correntes,
Faz-me voar! Faz-me viver!

Tomas-me como amigo, mais um,
Fazer mais que isso,
Sei que não podes.

Vem a doce brisa do final da tarde,
Acarinhar meu rosto.
Sinto tua presença,
Meu coração, em fogo arde.
Derrete em brasas meu coração de ferro,
Mas ao perceber que é ilusão, me encho de desgosto.

Lá no horizonte,
De repente tua imagem surge,
Pernas e mãos tremem
Minha vida, como uma Fênix, das cinzas ressurge.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Se um dia eu sumir...

Se um dia eu sumir...
Nunca mais vais me ver
Minha figura
O meu ser.

Pegarei a estrada sem volta
Sumiria no horizonte.
Dissiparia como fumaça,
Depois do Sol poente.

Se um dia eu sumir...
Não sei se ficarás triste ou contente;
Preocupada, ou despreocupada
Depois que eu me fizer ausente.

Mas um dia vai acontecer,
Queiramos ou não.
Faz parte do nosso viver.
Viver depois a solidão.

Se um dia eu sumir...
A saudade de mim bater,
E não me tiver por perto
Mas mesmo assim eu não aparecer
Ainda assim, eu te amarei por certo...

Entre idas e vindas,
Quem sabe numa dessas esquinas
Possa te encontrar,
Vestida nas vestes mais lindas.

Não sei se ainda vai estar solteira,
Ou casada quem sabe,
Mas ainda te amarei da mesma maneira.

Se um dia eu sumir...
Talvez eu volte ou não,
Mas se por ventura sim
Para quem sabe assim
Conquistar teu coração!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Jaz aqui o silêncio

                                          
Jaz aqui o silêncio...

De quem, para todo sempre partiu.
Saudades não trazem ninguém de volta
Pelo meu corpo, um vento frio,
Arrepia-me nesta hora

A solidão me faz companhia
Neste meu pesado olhar na janela
Agora sinto a pesada realidade
De meu quarto se transformar numa cela.
Talvez a morte seja minha libertação,
Mas nela penso como uma interrogação.


Dos que se foram apenas a inquietante recordação
Festas, risadas e bailes,
Parece que ainda posso ver com perfeição
Todos a dançar tão alegres!

Daquele tempo saudoso só restou a mim
Já velho e sem forças
E agora neste meu fim
Choro de saudades


Parece que agora a morte me ronda
Mas a sua presença me nego a notar.
Tenho de ser forte
Para que ela mais um instante,
Deixe-me ficar.

Jaz aqui o silêncio...

O velho gramofone parou
A música também
Assim que o músico se calou,
E o padre pronunciou amém.

Quando eu me for,
Para o céu ou o inferno,
Cessará o ardor.
A última viagem
Do trem da morte,
Contemplarei a sombria paisagem,
E lá chegando,
Comerei do último fruto.

Espero lá encontrar
A todos e poder abraçar.
Como antes,
Cantarolar e dançar

Jaz aqui o silêncio...

Desta vida nada levarei
Apenas a certeza que feliz eu fui
E muito eu amei.
E assim quando a dama da morte chegar,
O gelado orvalho sobre mim cair,
Preparado eu estarei...

Jaz aqui o silêncio,
E a mim também.
Para todo o sempre,
Amém...

terça-feira, 11 de junho de 2013

Ao final desta tarde


Este teu olhar castanho
Tão doce quanto um favo de mel
Ele, em minha direção mirando.
Por dentro
Sinto-me flutuando
Sinto-me no céu

Pele macia
Virgem seda
Por ti, reporto tanta idolatria,
Que nem desconfias
É a musa de meus sonhos

Lábios vermelhos
Maçã de encantos
Reclusos desejos
Dedico cada poema
Que retiro de minha alma
Esta mina de sentimentos

Nada posso fazer
Amar-te é o que me resta
Já que não consigo te esquecer
Transmito á este papel o que sinto
Atesto e afirmo
Que nada minto
Nessas linhas poéticas
Minha única saída
Já que contigo meu amor não posso compartilhar

Sejamos amigos
Continuemos nossa caminhada
Eu com a minha
E tu, com a tua
Minha amada
Para a posterioridade
Ficarão apenas velhos retratos
E para quem quiser ouvir
Este meu amor em surrados relatos.

Passará os anos
Mas de ti não esquecerei
Estará sempre no velho baú das lembranças
Onde guardamos memórias que tanto adoramos
E este teu belo olhar
Terá sempre, lá um lugar.
Para que depois que fores embora de minha vida
Quando a saudade bater a minha porta
Eu, magicamente
Possa me reportar...


Ao final desta tarde
Quando no horizonte
O Sol vai beijando as montanhas
Eu, sentado neste banco,
Vivendo apenas de lembranças.
Nesta tarde fria,
Minha bela dona
Finalmente virás
Vestida toda de branco
Quieta e sem alarde


Irá levar-me daqui
Até os jardins do céu
Tu e eu de mãos dadas,
E tu, para mim docemente
Sorriria.
Ah não sabes o quanto esperei
Para que um dia
Novamente eu pudesse contemplar
Teu doce olhar de mel...

sábado, 8 de junho de 2013

A carta que eu escrevi, e a ti nunca enviei

Talvez por medo, covardia, receio da tua resposta, eu não fiz mais do que escrevê-la e guarda-la no fundo de um baú, junto de tantas coisas velhas, e sem importância. Mas essa carta tem, e terá, pois foi ali, aos prantos, que eu desenhava cada letra, cada palavra, que estavam enterradas dentro de minh´alma. Nesta carta que juntei toda a coragem que detinha dentro de meu coração, lá no fundo e transmiti a este pedaço de papel por meio de minha mão.
Tu há essa hora, estas vivendo a sua vida, mas habitando meu pensamento, sendo você, a única habitante de meu pequeno mundo, onde mesmo que fantasiosamente, vivo feliz.
Um dia, quem sabe, eu tenha coragem de a ti reportar este pedaço de papel, cheio de minhas, não tão belas, mas sinceras palavras.
Ou talvez continue com ela guardada, a sete chaves, como este sentimento, e que nunca tive a audácia de olhar no fundo de teus negros olhos e dizer:- Eu te amo!
Sim, isso é covardia de minha parte, mas quem em algum momento de sua vida não foi covarde? Nosso lado humano nos faz assim, mesmo que seja algo que nos consuma por dentro. Então é como uma represa, que está quase está estourando, transbordando, e por milímetros, não se rompe.
Penso em me declarar, mas a sombra do medo cobre o Sol da coragem.
Guardo esta carta que nunca te entreguei, eu covarde, como uma criança com medo do escuro, dos fantasmas da noite, e me calo.
Retiro meus óculos, e lhe ponho em cima da escrivaninha. Tampo a caneta, repouso num pequeno baú de madeira a carta, e o chaveio, neste pequeno e velho baú, pois não quero que ninguém a leia. Decido apagar a luz, não irei mais escrever nada, depois de pensar em tudo isso. A negritude da noite vem aos poucos adentrando pela janela de meu quarto, já que nem a bela Lua está hoje no céu.
Debruço-me no parapeito da janela, lhe abro e ponho minha cabeça para fora. Um gélido ar beija meu rosto, e olho o horizonte, d´onde lá em seus confins o Sol, já vai se pondo, deixando apenas um rastro de seda alaranjada, por entre as poucas nuvens que enfeitam o céu, já nos últimos momentos de claridade dele. É fim de outono, logo virá o inverno, com seus dias de mazelas, frios e chuvosos, que sem a sua presença, se tornam cada vez mais amargos.
Espero que na próxima primavera, voltes e que seja como o Sol resplandecente depois de uma longa tempestade.
Parece que no céu, posso criar sua bela e divina imagem, como uma belíssima pintura da época do Renascimento. Logo percebo que estou sorrindo, olhando para o nada.
Ponho meu corpo para dentro de casa, fecho a janela, e cerro a cortina, e assim a escuridão noturna toma conta de meu quarto. Lágrimas de dor inundam meus olhos, e descem pelas maçãs de meu rosto, e caem no tecido de minha roupa, que logo as absorvem.
Sinto que minhas pernas fraquejam, e busco sentar-me na cadeira de minha escrivaninha, onde também aos prantos, escrevi a carta.
Recupero minha força, levanto-me e me dirijo em direção a minha cama, sendo esta de casal, mas que mesmo assim ainda é somente por mim ocupada.
Deito-me e me cubro com a coberta, e encolho-me de frio. Ponho minhas mãos junto de minha boca, onde sinto o calor de minha respiração.
Fico imaginando o que fazes a esta hora, no que pensas, e assim de tanto pensar adormeço. Adormeço e tu, apenas tu habitas meu sonho. Você, em sua casa também dorme seu sono de anjo, e comigo não sonha.

Amanhã, quem sabe, eu vista a armadura da coragem, chegue a sua frente e em suas mãos, ponha esta carta, que escrevi, revelando-te tudo o que sinto. Todo meu amor por ti...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Amantes

Sei que não é a mim que amas
Ah não sabes como sofro
Arde meu coração em chamas
Recordação de um bom tempo
Oh suave brisa
Profundo lamento
Ainda posso sentir o calor de tua pele
Recaindo sobre a minha
Tamanha saudade, que tanto me fere.

Somente o frio me faz companhia
Reviro-me em minha cama
Onde antes tu, em meus braços adormecia
Agora, diz-me que é outro que amas
Sentir o teu calor
Pernas se entrelaçam
Ímpio ardor
Movidos pelo desejo
Corpo a corpo
Língua á língua, um beijo

Tu a outro te entregas
De mim, nem te recordas
Forma inesquecíveis momentos
Pela tua demora eu lamento
Mas sei que que não irá voltar
Por mais que a ti eu suplique
Que venhas para meu corpo acarinhar
Da janela admiro nos céus a Lua
De beleza ímpar, igualada apenas a tua

Tu, dona de meu coração
Dama da madrugada
Guardo apenas recordação
Da bela mulher amada
Que perturba os meus sentidos
De desejo, cego fico

Dentre todas as mulheres
É a única que me completa
Assim, mastigo meu desejo
Infame, tu és minha predileta
Por isso, raiva de mim eu sinto
De querer-te tanto
Não sendo recíproco
Então, a ti eu minto
Pensas que nada mais sinto
De sentimentos, fiquei oco

Pela janela, sinto o ar frio
Mas forte chama ainda arde
Voraz e incessante
Que não se vai em cada fim de tarde
A cada dia, mais forte se torna
Presente e constante







terça-feira, 4 de junho de 2013

Saudades não basta...

Por que damos o devido valor á coisas e pessoas quando as perdemos?
Será que é mais fácil sentirmos saudades, do que irmos vê-las, abraça-las, ama-las?
Por vezes na correria do dia-a-dia, não conseguimos dar a merecida atenção que as pessoas ao nosso redor merecem. Mas por mais que a vida de algumas pessoas seja longa, não são eternas.
As horas passam os dias, os meses, os anos, e quando nos damos de conta, a vida se foi, como a água de um rio, que passa em frente de nossos olhos apenas uma vez, e some no horizonte.
A vida é como a chama de uma vela, frágil que por vezes balança, quase se apaga, mas logo se mantém firme. Porém, uma leve brisa, pode transformar tudo em escuridão.
Dê valor às pessoas que são importantes para você!
Mande flores, faça uma surpresa, seja amável.
Ore por elas quando estiverem passando por um momento de dificuldade.
Diga á ela que a ama, mostre a ela o quanto ela é importante para sua vida.
Esboce um belo sorriso pela primeira vez que a ver no dia.
Aproveite os momentos que estiverem juntos.
Convide-a para sair, para tomarem um delicioso sorvete. Se ela não quiser, proponha um filme, com pipocas, num fim de tarde de domingo.
Enfim, seja feliz ao lado delas, tente as entender, seja flexível.
Pois depois que os batimentos pararem, nada mais se pode fazer.
Não irá adiantar levar flores, rezar por sua alma, prestar homenagens, promover pompas, etc.
Saudades, lágrimas, não são o suficiente para trazer alguém de volta a vida.
Pense nisso. Viva o hoje!

Se for para chorar, que seja de alegria, de surpresa, de amor!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Sorrisos e olhares


 Ao olhar para tuas mãos
Sinto o palpitar de meu coração
Galopantes batidas
Parece que irão me lavar a morte
Nunca iria imaginar que este sentimento,
A cada dia se tornaria mais forte.

Uma tão descontrolada atração
Meu corpo clama pelo teu!
Só assim irei encontrar minha salvação
Minha boca é sedenta pela tua
Com um andarilho num árido deserto
Atira-se num poço d´água fresca
Num impulso, na emoção
De não saber ao certo,
Não ouve a voz da razão.
Só assim eu atesto
Serei feliz por completo,
Quando esta minha sede saciar!

Teu olhar por vezes me fascina,
Por outras tantas me alucina.
Para mim, mirar-te já basta
És como o Sol de verão
Dá a minha vida, para seguir, uma razão
Mas tanto dói quando te afastas,
Então sangra meu coração.
Se passar um dia sem lhe ver,
É mesmo que não viver!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O anel e a carta

Era inverno, isso eu lembro, o ano era 2012.
Não me lembro do diálogo inteiro, mas lá vai:
-Gostei de seus anéis.
-Pois é.
-Você me dá um deles?
Não disse nenhuma palavra, apenas tirou de um de seus dedos, um daqueles anéis e me deu.
Tinha tantos deles. Acho que eram mais de cinco.
Levei pra casa aquele anel, que mal cabia no meu dedo.
Dias depois, ela me pediu para trocar por outro, por que aquele, por algum motivo que eu não lembro agora ela não podia dar.
Trocamos de anel, ele me deu outro.
Levei pra casa e guardei dentro de um pote, junto com umas coisas velhas.
Ia ser o único bem material que me lembrasse dela.
Dentro de alguns meses ela iria embora, e eu ia ficar.
Perguntei o que ela preferia: uma carta ou um anel novo. Preferiu a carta.
A cada palavra que eu escrevia naquela folha de caderno, era como um corte que era dado em meu coração.
Ela se foi, numa tarde de verão. Todos ficaram aos prantos. Menos eu. Sentia-me tenaz naquele momento. Não esboçava nenhuma reação. Por dias um nó maldito apertou minha garganta. Mas segui a vida.
Alguns dias depois eu descobri que a carta não tinha ido.
Esqueci-me da carta, mas não dela.
Passaram-se os dias, meses, a vida foi seguindo.
Um dia a carta chegou.
Não tive coragem de perguntar diretamente para ela o que ela havia achado da carta.
Mas por meio de outra pessoa eu soube o que ela havia achado da carta: dramatização...
Nunca fui tão sincero em toda minha vida. Mas acho que minhas palavras valem menos que nada.
Um dia tu carta, vais te transformar em pó, mas tu anel vai durar mais tempo, é feito de aço.
Talvez o amor seja feito de aço também.
Mas o aço, com o tempo gasta, enferruja, vai se despedaçando.

Espero que esse sentimento, tenha o mesmo fim que a carta...
Papéis apodrecem, sentimentos, palavras não, ficam para sempre na memória de que as ouviu.