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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Genealogia 02.

Manuel Dutra Caldeira: *1680, em Fateira, Horta, Ilha do Faial, Açores, Portugal; c/c Bárbara Duarte, *1683, também natural de Fateira. São décimos primeiros avós do autor; Pais de:
F. Pedro Dutra Caldeira.
F. Filipe Dutra Caldeira: *Fateira; casado em primeiras núpcias com Maria Rodrigues, natural de Fateira, filha de Manoel Rodrigues, natural de Castelo Branco, Horta, Ilha do Faial, e de Maria Luís, natural de Fateira. Casou-se em segundas núpcias com Maria Silveira, natural de San Carlos, Maldonado, Uruguai, filha de Antônio Silveira Goulart, e de Maria Dutra *p/v 1703, ambos naturais de Fateira; em 17-05-1747, em Fateira. Filipe morreu em 26-12-1771, em San Carlos. Maria morreu em 03-01-1800, em Rio Grande, Rio Grande do Sul. Filipe e Maria Silveira são décimos avós do autor. O casal Filipe e Maria foi feito prisioneiro, quando os espanhóis invadiram a Vila de São Pedro de Rio Grande, em 1763, juntamente com os filhos, e lá fixaram residência. Pais de (do 1° matrimônio):
N. Maria de Santo Antônio: c/c João Garcia Pereira, em 19-04-1744, em Fateira, filho de Filipe Pereira e Ana Pereira. Pais de:
Bn. Francisco Dutra Garcia: *16-12-1753, em Fateira, batizado em 21-12-1753, em Fateira; morreu em 11-01-1836 em Fateira; c/c Mariana da Rosa Bulcão, *15-06-1771, natural de Fateira, em 22-02-1789, em Fateira, filha de Manuel Silveira Bulcão *p/v 1744 e de Izabel Francisca *p/v 1750, naturais de Fateira. Mariana morreu em 16-10-1822, em Fateira.
Bn. Maria Tereza de Jesus: c/c Antônio da Rosa de Medeiros, filho de João da Rosa e Mariana da Conceição.
N. Manuel Dutra Caldeira: c/c Rosa Maria de Mendonça, em 29-05-1747, em San Carlos, filha de Manoel de Mendonça e Ana Dutra, e viúva de João de Freitas.
N. Catarina de São Mateus: * Fateira; c/c Antônio da Silva; morreu em 19-10-1753, em Rio Grande.
 Do 2° matrimônio, com Maria Silveira:
N. Inácia Dutra: *17-11-1762, em Rio Grande, batizada em 12-12-1762, em Rio Grande; c/c Ramon António Del Porto, natural de San Martinho, Galícia, Espanha, em 27-04-1778, em San Carlos, filho de Nicolás Del Porto e Ângela Mariño, ambos naturais de Sam Martinho. Pais de:
Bn. Maria Antônia: *San Carlos, batizada em 20-06-1780, em San Carlos.
N. Maria Dutra da Silveira: *11-01-1759, em Rio Grande, batizada em 13-02-1759, em Rio Grande; c/c Antônio Silveira da Rosa, *p/v de 1755, em 1775 em San Carlos, filho de Manuel Silveira da Rosa *29-05-1728 e de Maria Rosa de São José, *09-08-1724, ambos naturais de Cedros, Horta, Ilha do Faial.
N. Vitória Dutra: *25-03-1756, em Rio Grande, batizada em 19-04-1756, em Rio Grande; c/c Ambrósio Pires da Rosa, *p/v de 1743, natural de Santa Luzia, Ilha do Pico, Açores, em 1771, em San Carlos, filho de Ambrósio Pires da Rosa e Maria Pereira, naturais de Santa Luzia. Pais de:
Bn. Ana Maria Pires: *San Carlos; c/c Manoel Rodrigues Luís, filho de Antônio Rodrigues Luís e de Rita Francisca.
Bn. Ambrósio Pires da Rosa: c/c Anna de Faria, filha de Domingos de Faria Alvernáz e de Mariana Rosa de São José, todos naturais da Ilha do Faial.
N. Rosa Maria de Jesus: *Rio Grande, batizada em 08-07-1753, em Rio Grande; faleceu em 12-08-1833, em Porto Alegre; casada em 1° núpcias com José Lopes Pacheco *16-10-1736 natural de Nove Ribeiras, Ilha Terceira, Açores, em Viamão, Rio Grande do Sul, filho de Diogo Pacheco Louro, *14-12-1699, e de Bárbara da Conceição *13-06-1703, ambos naturais de Nove Ribeiras. Casou-se em 2° núpcias com Francisco Ferreira Saldanha, natural de Pouso Alto, Minas Gerais, filho de Caetano Saldanha, natural de Vila Rica, Minas Gerais, e de Maria Ferreira de Andrade, natural de Pouso Alto. Pais de (do 1° matrimônio):
Bn. Cipriana Joaquina da Conceição: *Viamão, batizada em 24-02-1771, em Viamão; c/c Francisco Antônio da Silveira, natural de Viamão, em 11-01-1789, em Porto Alegre, filho de Francisco Antônio da Silveira, natural de Conceição, Horta, Ilha do Faial, e de Antônia Maria de Jesus, natural de Jacareí, São Paulo.
Bn. Luciana Antônia de Jesus: *Santo Antônio da Patrulha, batizada em 27-07-1773, em Santo Antônio da Patrulha; c/c Manuel Antônio da Silva *08-09-1768, natural de Viamão, filho de Francisco Antônio da Silveira e de Antônia Maria de Jesus.
Bn. Francisco José Pacheco: *Santo Antônio da Patrulha, ali batizado em 25-09-1774; casado em 1° núpcias com Maria Inácia de Jesus, natural de Rio Grande, em 29-01-1796, em Rio Grande, filha de José Francisco Duarte e Inácia Maria. Casou-se em 2° núpcias com Dionísia Teresa de Jesus, natural de Lisboa, Portugal, em 13-11-1819, em Pelotas, filha de Diniz Girard, natural de Lyon, França e de Francisca Teresa de Jesus, natural de Covilhã, Castelo Branco, Portugal. Pais de (do 1° matrimônio):
Tn. Ana: *06-10-1799, em Rio Grande, batizada em 12-11-1799, em Rio Grande.
Tn. Maria: *23-03-1801, em Rio Grande, batizada em 16-04-1801, em Rio Grande.
Tn. Joaquina Maria Pacheco: *20-07-1803, natural e ali batizada em 27-07-1803; c/c Frederico Augusto de Carvalho Bastos,*p/v de 1807, natural de Lisboa, filho de Antônio Xavier de Carvalho Bastos, natural de Seixal, Setúbal, Alentejo, Portugal, e de Angélica Ludovina Girard, natural de Lisboa.
Tn. Manuel: *24-01-1806, em Rio Grande, ali batizado em 28-01-1806.
Tn. ?: gêmea com o anterior.
Do 2° matrimônio:
Tn. Antônio: *22-08-1820, em Pelotas.
Tn. Eulália: *Pelotas, batizada em 12-02-1823, em Pelotas.
Bn. José Pacheco Lopes: *e batizado em Santo Antônio da Patrulha, em 05-10-1776; c/c Vicência Maria do Nascimento *Santo Antônio da Patrulha, em 07-04-1799, em Gravataí, filha de Vicente Francisco dos Santos *23-09-1753, e de Ana Maria de Jesus, *16-05-1759, ambos naturais de Rio Grande. Pais de:
Tn. Clementina Maria do Nascimento: c/c José de Freitas Noronha, *p/v 1818, natural de São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul, em 07-11-1843, em Santo Antônio da Patrulha, filho de Narciso José Pacheco, natural de Viamão.
Bn. Antônio José Pacheco: *Santo Antônio da Patrulha, ali batizado em 21-06-1778.
Do 2° matrimônio:
Bn. Matilde Maria Saldanha: *20-03-1785, em Santo Antônio da Patrulha, ali batizada em 03-04-1785; c/c Bernardo José da Silva *15-01-1781, natural de Porto Alegre, em 01-06-1803, em Santo Antônio da Patrulha, filho de Francisco Antônio da Silveira, natural de Conceição, Ilha do Faial, e de Antônia Maria de Jesus, natural de Jacareí, São Paulo.
Bn. Policarpo José Saldanha: *01-03-1787, em Santo Antônio da Patrulha, ali batizado, em 11-03-1787; c/c Umbelina Rosa do Amor Divino, sua sobrinha, natural de Santo Antônio da Patrulha, em 06-02-1823, em Porto Alegre, filha de Manuel Antônio da Silva e Luciana Antônia de Jesus.
Bn. Cipriana: *p/v de 1787, em Santo Antônio da Patrulha, ali batizada.
Bn. Francisco Antônio de Jesus: *Santo Antônio da Patrulha, ali batizado em 02-09-1789; c/c Floriana Maria da Encarnação, natural de Taquari, Rio Grande do Sul, em 02-11-18011, em Taquari, filha de Jerônimo José Rodrigues e de Lauriana Maria de Jesus, ambos naturais de Triunfo, Rio Grande do Sul. Pais de:
Tn. Manuel: *09-07-1813, em Taquari, ali batizado em 25-07-1813.
Tn. Inácia: *20-10-1814, em Taquari, ali batizada em 29-10-1814.
Tn. Antônio: *Taquari, ali batizado em 20-10-1824.
Tn. Jerônimo: *17-09-1826, em Taquari, ali batizado em 09-10-1826.
Bn. Maria: * Santo Antônio da Patrulha, ali batizada em 14-05-1792.
Bn. Joaquina Antônia de Jesus: * Santo Antônio da Patrulha, ali batizada em 21-05-1798; c/c Manuel Félix Vaz, natural de Porto, Portugal, em 22-08-1814, em Santo Antônio da Patrulha, filho de Manuel Vaz e Teodora Antônia.
N. Vitória: *Fateira; morreu em 04-05-1752, em Rio Grande.
N. Manuel Dutra da Silveira: *Fateira; c/c Isabel Maria Teixeira, *31-08-1756, natural de Rio Grande, em 01-12-1777, em San Carlos, Maldonado, Uruguai, filha de Antônio Teixeira Corrisco *p/v de 1694 e de Isabel Maria Viera *p/v de 1708, naturais de Urzelina, Velas, Ilha de São Jorge. Manuel e Isabel Maria, são nonavós do autor. Pais de:
Bn. Joaquina: *10-09-1797, em Rio Grande, ali batizada em 27-09-1797.
Bn. Teodósio: *04-09-1795, em Rio Grande, ali batizado, em 20-09-1795.
Bn. Benigna: *22-08-1793, em Povo Novo, Rio Grande, ali batizada, em 28-10-1793.
Bn. Ana: *20-06-1791, em Povo Novo, ali batizada em 04-07-1791.
Bn. Anacleta Maria Dutra: *07-09-1789, em Povo Novo, ali batizada em 19-09-1789; c/c Pedro Muniz Fagundes, *p/v de 1789, natural de Rio Grande, em 28-11-1807, em Rio Grande, filho de Vicente Muniz Leite, *p/v de 1749, natural de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro e de Dionísia Pereira da Assunção, natural de San Carlos. Pais de:
Tn. Sérgio: *09-09-1809, em Rio Grande, batizado em 19-09-1819, em Rio Grande.
Bn. Manuel Dutra da Silveira: *22-05-1787, em Rio Grande, ali batizado em 29-06-1787; c/c Josefa Balbina Fagundes, natural de Rio Grande, filha de Vicente Muniz e de Dionísia Pereira da Assunção. Pais de:
Tn. Leonel Dutra Fagundes: *15-14-1809, em Rio Grande, ali batizado em 06-05-1809.
Tn. Israel Dutra Fagundes: *15-04-1809, em Rio Grande, gêmeo com o anterior; c/c Marcelina Francisca de Souza, em 28-06-1830, em Piratini, filha de Marcelino Francisco de Souza, *23-12-1785, natural de Rio Grande e de Eugênia Felipa de Medeiros.
Bn. José: *03-09-1785, em Rio Grande, ali batizado em 17-10-1785.
Bn. Laureana Dutra: *24-10-1783, em Rio Grande, ali batizada em 01-11-1783; c/c José Leonardo Germano, natural de Sé de Leira, Portugal, em 08-02-1802, em Rio Grande, filho de Alonsio Belarino e Paula Joaquina. Pais de:
Tn. Maria: *09-01-1805, em Rio Grande, ali batizada, em 24-02-1805.
Tn. Maria Joaquina Germana: *20-05-1809, em Rio Grande, ali batizada em 07-06-1809; casada em 1° núpcias com Manuel da Silva Santos, natural de São Salvador, Porto, Portugal, em 12-05-1825, em Rio Grande, filho de Manuel da Silva e de Ana Luísa. Casada em segundas núpcias com João Antônio da Rosa, natural de Desterro, Santa Catarina, em 27-12-1832, em Rio Grande, filho de Antônio José Pereira e de Rita Maria de Jesus.
Tn. José Leonardo Germano: *Rio Grande; c/c Eugênia Maria Lucas, natural de Rio Grande, em 01-03-1832, em Rio Grande, filha de João da Costa Santos, *p/v de 1772, e de Joana da Rosa Lucas de Oliveira, *16-03-1786, natural de Piratini.
Bn. Maurício Dutra da Silveira: *22-09-1781, natural de Rio Grande, ali batizado, em 28-10-1781; c/c Maria Ferreira da Conceição, natural de Rio Grande, em 14-06-1803, em Povo Novo, filha de Vicente Ferreira dos Santos e de Ana Inácia Gomes. Pais de:
Tn. Vicente: *05-04-1804, em Rio Grande, ali batizado, em 28-07-1804.
Tn. Joaquina: *07-10-1806, em Rio Grande, ali batizada, em 24-10-1806.
Tn. Virgínia: *08-06-1808, em Rio Grande, ali batizada, em 10-07-1808.

Bn. Maria Dutra: *06-10-1778, em San Carlos, ali batizada em 11-10-1778; c/c Antônio de Faria Rosa, natural da Ilha do Faial, em 23-03-1799, em Rio Grande, filho de Domingos de Faria Alvernáz,*22-12-1731 e de Mariana Rosa de São José, *27-03-1733, ambos naturais de Nossa Senhora do Socorro, Horta, Ilha do Faial. Neto paterno de Domingos Jorge de Faria Alvernáz e de Ana Maria d’Ávila, e neto materno de Manuel Garcia Nunes e Francisca Rosa de São José, todos naturais da Ilha do Faial. Maria e Antônio são octanavós do autor. Descendem deste casal boa parte da população da Região Sul do Rio Grande do Sul, em especial em Piratini, e em sua descendência encontram-se as famílias: Santos, Dutra, Borges, Oliveira, Garcia, Passos, Domingues, Afonso, Nunes, Vargas, Andrade e muitas outras.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A noiva de Garibaldi, parte 1

Manuela Amália Ferreira, fotografia do século XIX.

                                           
“E coube somente a min, contar essa história pontuada de heróis, da qual eu vivi desde início e soube esperar até o fim, aquecida por minha grande paixão por Garibaldi”
-Manuela Amália Ferreira

Nascida em Pelotas em 08 de julho de 1820, Manuela Amália Ferreira, passou a história conhecida como a “Noiva de Garibaldi”.
Filha de Francisco de Paula Ferreira e de Dona Maria Manuela de Meireles, sendo esta sobrinha de Perpétua da Costa Meireles, mãe do General Bento Gonçalves da Silva, futuro presidente da República Rio-Grandense.
Seu registro de batismo data de 20 de agosto de 1820, no Bispado de Pelotas.
Manuela viveu na companhia de seus pais e seus três irmãos em Pelotas até meados de 1835, quando sua família se envolveu num dos fatos históricos mais convulsivos desta terra: A Revolução Farroupilha.
Seus pais assim como a maioria da população da época acabaram ficando do lado dos Farroupilhas.
Partiram para tomar Porto Alegre, então capital da Província, que estava descontente com a situação econômica que se encontrava. O preço do charque produzido nas charqueadas era bem menor que o charque produzido no Uruguai e outros países, onde ao entrar no Brasil, pagava baixíssimos impostos, bem mais baixos que os que os do Rio Grande do Sul pagavam.
Em 20 de Setembro de 1835, liderados por Bento Gonçalves e Onofre Pires, os revoltosos invadiram Porto Alegre e depuseram o Presidente da Província, Antônio Rodrigues Braga, que foi obrigado a deixar o poder e fugir de barco até Rio Grande, no sul da Província.
Manuela, suas irmãs, sua mãe, Dona Cayetanna, e seus filhos estavam morando juntas em Pelotas, e ao saberem do início da Revolução, decidiram fugir de Pelotas, uma vez que a cidade se manteve fiel ao Império durante toda Revolução.
O lugar escolhido para refugiarem-se foi a Estância da Barra, de propriedade de Dona Anna Joaquina Gonçalves da Silva, irmã do General, ás margens do Rio Camaquã, sendo um local de difícil acesso.
Viveram todas em total isolamento durante a Revolução, sabendo do que se passava somente por meio de cartas, mascates que pernoitava na Estância, ou quando seus parentes vinham até a propriedade.
Em 11 de setembro de 1836, é proclamada a “República Rio-Grandense”, sendo sua primeira capital a cidade de Piratini.
Na noite de 3 de outubro de 1836, os Farroupilhas decidiram voltar até o sul, mas graças a traição de Bento Manuel Ribeiro, foram surpreendidos da Ilha da Fanfa, provocando a prisão de muitos dos líderes da Revolução tais como Bento Gonçalves, Onofre Pires, Tito Lívio Zambeccari, Pedro Boticário, José de Almeida Corte Real, e José Calvet. Mais de 100 mortos nessa Batalha, sendo que maioria era Farroupilha. O pai de Manuela conseguiu se salvar e com os demais voltaram até Camaquã.
Bento Gonçalves foi mandado até a Prisão de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, onde foi visitado por sues três filhos, Bentinho, Caetano e Joaquim, o prometido á Manuela.
Em sua cela, no Rio de Janeiro, Bento Gonçalves conhece um corsário italiano:
Giuseppe Garibaldi, o qual havia sido exilado na Marselha, na França, após ter se envolvido com a “Carbonária”, a qual era a favor da Unificação Italiana.
Bento concedeu á Garibaldi uma carta de Corso, a qual dava á ele o direito de atacar e prender as embarcações imperiais em águas da República.
Juntamente com seu companheiro, Luiggi Rossetti, vieram para o sul, onde foram encarregados de construir barcos, os quais seriam usados para constituir uma frota para os Farroupilhas.
Antes de chegarem, atacaram um navio austríaco, o “Mazzini”, o qual foi rebatizado de “Farroupilha”.
Garibaldi foi preso em águas uruguaias, sendo transferido preso para a Argentina, e algum tempo depois foi solto.
Manuela sabia que ele estava por vir até seu encontro, segundo ela mesmo escreveu em seus diários.
A partir de abril de 1839, Garibaldi e marinheiros vindos de Montevidéu, estavam dedicados á construção de barcos num estaleiro pouco distante da sede da Estância da Barra, onde os revoltosos foram atacados por Francisco Pedro de Abreu, o “Moringue”, sendo a vitória dos Farroupilhas.
Já no fim da vida, Garibaldi ditou á Alexandre Dumas suas memórias onde cita em uma pequena nota íntima: “Nós celebrávamos a vitória, gozando do fato de termos sido salvos da tempestade. Na sede da estância, á 12 milhas dali, uma virgem empalidecia e rezava pela minha vida; mais doce que a vitória, me surpreendia à notícia. Sim. Belíssima filha do Continente, e eu era orgulhoso e feliz de te pertencer, fosse como fosse. Tu destinada a ser mulher doutro! A min a sorte reservava outra brasileira!”.
A virgem era Manuela...
Ao conhecer Garibaldi, a jovem de 20 anos se apaixonou, sendo só seu, dele e de seus diários o conhecimento desse amor. Esse encontro se deu num baile oferecido por Dona Anna para comemorar as sucessivas vitórias da Frota de Garibaldi, contra a Frota Imperial.
Neste meio tempo, o pai de Manuela morre num confronto com os imperiais, ou os “Caramurus” como eram conhecidos por a população da Província.
O luto se abateu sobre a família de Manuela, e ela sofria em silêncio a dor de não ter o seu amado ao seu lado neste momento.
Os encontros tinham de ser ás escondidas, uma vez que sua mãe era rigorosa na educação das três filhas, além do fato de Manuela estar prometida á Joaquim, o qual ela nutria um amor de irmão.
Além do fato de Manuela estar apaixonada por um homem “Sem eira nem beira”, Rosário, a irmã mais nova de Manuela, estava apaixonada por um fantasma de um soldado uruguaio, que lutava ao lado dos Imperiais.
Ao descobrir de paixão de Manuela por Garibaldi, sua mãe preferiu trancar a filha no quarto para evitar que ela se encontrasse com ele.
Sua mãe estava em dúvidas, pois não queria a filha casada com um aventureiro estrangeiro, e então decidiu deixar a decisão á Bento Gonçalves.
Garibaldi e Manuela continuaram a se mandar poemas e bilhetes por meio de peões da Estância.
Quando Bento voltou á Estância da Barra para rever sua família e ver os barcos que Garibaldi e seus homens haviam construído, Garibaldi se encheu de coragem e decidiu pedir a mão de Manuela ao Presidente.
Seriam dois barcos, o Farroupilha e o Seival, usados para atacar a cidade de Laguna, ne Província de Santa Catarina, onde seria feito um porto marítimo para a República.
Ao saber das intensões do Corsário com a moça, Bento pensou, pensou, mas a negativa veio como algo já esperado pelo italiano. Como uma moça criada para ser mãe, uma moça criada com toda educação, bons costumes, e que mal sabia pegar numa arma poderia acompanhar um guerreiro como Garibaldi numa Batalha?
Mas o amor que ele sentia por ela fez com que ele não contasse sobre o não do Presidente ao seu pedido.
Alguns dias após o ocorrido, Garibaldi mais uma vez tentou o sim do Presidente. Mais uma vez a resposta foi não.
Ao entender os motivos de Bento, Garibaldi teve de se conformar. A única coisa que pediu foi um papel e uma caneta para escrever uma carta para sua amada.
Era a hora de partir. Garibaldi despediu-se de Dona Antônia, a confidente do casal, e de todos as outras senhoras que tão bem lhe acolheram em suas residências.
A última pessoa quem Garibaldi se despediu foi de Manuela. Ela ainda tinham esperanças de que Bento havia aprovado seu namoro com o italiano.
Triste por ter que deixar sua amada para sempre, Garibaldi se despediu de Manuela em frente á estância e apenas deixou uma carta que ele pediu que ela abrisse quando já estivesse longe dali.
Ao ler o que ele havia escrito, seus belíssimos olhos azuis se encheram de lágrimas, mas ela não havia perdido as esperanças de que ele voltaria depois que tomasse Laguna para buscá-la.
Seguiam-se dias e dias de espera, a guerra ia de mau á pior para os Farrapos, e a mãe de Manuela agora achava que suas duas filhas haviam enlouquecido.
Rosário, completamente desequilibrada mata Regente, o cachorro de Manuela com um punhal. Vendo que sua filha oferecia perigo ás demais pessoas da família, trancou sua filha em um convento.
Ao contrário de Rosário, Manuela, vivia o dia trancada em seu quarto, escrevendo ou na beira da janela, esperando seu amado voltar e lhe buscar.
Garibaldi, General Davi Canabarro, John Griggs, Luiggi Rossetti, e alguns peões das estâncias da família Gonçalves da Silva, partiram em meados de junho de 1839, por água onde foram atacados pela de John Grenffel, a serviço do Império, a qual foi  vencida pelos homens de Garibaldi.
Foram navegando pela Laguna dos Patos, até o Rio Capivarí, onde depois, os navios foram levados em cima de lanchões, puxados por cerca de cem juntas de bois, durante cerca de 90 km até chegarem á Lagoa Tomás José, no dia 11 de julho de 1839. No dia 13 de julho de 1839, lançaram-se ao mar, rumo á Laguna.
Na costa de Santa Catarina, na foz do Rio Araranguá, uma tempestade afundou o Farroupilha, no qual estava Garibaldi, que milagrosamente se salvou.
Paralelamente á isso, Joaquim decidi conversar com Manuela e lhe pede sua mão em casamento. Manuela nega-se á casar-se com o primo e diz que irá esperar por Garibaldi para sempre. O primo entristecido e louco de amores pela bela moça, decidi voltar Guerra junto de seu pai.
Ao chegarem a Santa Catarina, os homens que conseguiram sobreviver ao naufrágio do Farroupilha, juntos aos tripulantes do Seival, uniram-se ás tropas do General Davi Canabarro, invadido a cidade pela Lagoa de Garopaba Sul, onde surpreenderam uma brigue-escuna imperial, a “Cometa”, que conseguiu fugir pelo mar.
Garibaldi contava com 32 anos na época da tomada de Laguna. Chegando lá em meados de julho de 1839, a bordo da “Itaparica” Garibaldi observava da longe, com uma luneta as casas em Laguna, quando percebeu um grupo de moças que passeava, mas uma em especial lhe chamou a atenção. Ao chegar em terra firme a procurou, mas não á encontrou.
Tinha perdido a esperança de encontrá-la, quando um habitante local o convidou a ir a sua casa para um café. Garibaldi aceitou e na casa encontrou a jovem que procurava. Assim Garibaldi relata o encontro em suas memórias: "Entramos, e a primeira pessoa que se aproximou era aquela cujo aspecto me tinha feito desembarcar. Era Anita! A mãe de meus filhos! A companhia de minha vida, na boa e na má fortuna. A mulher cuja coragem desejei tantas vezes. Ficamos ambos estáticos e silenciosos, olhando-se reciprocamente, como duas pessoas que não se vissem pela primeira vez e que buscam na aproximação alguma coisa como uma reminiscência. A saudei finalmente e lhe disse: 'Tu deves ser minha!'. Eu falava pouco o português, e articulei as provocantes palavras em italiano. Contudo fui magnético na minha insolência. Havia atado um nó, decretado uma sentença que somente a morte poderia desfazer. Eu tinha encontrado um tesouro proibido, mas um tesouro de grande valor”
Em 20 de outubro de 1839, Anita decide seguir Garibaldi, deixando para trás seu marido bêbado, que a batia com frequência, subindo a bordo de seu navio para uma expedição militar.
Em Imbituba recebeu o batismo de fogo, quando a expedição corsária foi atacada pela marinha imperial do Brasil. Dias depois, em 15 de novembro, Anita confirma sua coragem sem fim e seu amor heroico a Garibaldi na famosa batalha naval de Laguna, contra Frederico Mariath, na qual se expõe a um grande risco de morte, atravessando uma dúzia de vezes a bordo da pequena lancha de combate para trazer munições em meio a uma verdadeira carnificina. Anita também combateu ao lado de Garibaldi em Santa Vitória. Depois passou o Natal de 1839 em Lages.
Era definitivamente o fim do romance de Garibaldi e Manuela.
Lembrava-se de Manuela sim, mas como uma bela recordação, algo intocável em sua memória. Agora tinha ao seu lado Anita, a brava mulher que lhe acompanhava nas batalhas.
Anita morena, da pele macia, amante de noite, soldado de dia, um filho num braço, no outro um fuzil ( trecho da música de Marlene Pastro, Anita Morena)

Ao chegarem a Santa Catarina, os homens que conseguiram sobreviver ao naufrágio do Farroupilha, juntos aos tripulantes do Seival, uniram-se ás tropas do General Davi Canabarro, invadido a cidade pela Lagoa de Garopaba Sul, onde surpreenderam uma brigue-escuna imperial, a “Cometa”, que conseguiu fugir pelo mar.
Vários foram os combates por terra e por mar, até novembro de 1839.
O governo imperial mandara cerca de treze navios, sob o comando do General Andreah e do Almirante Frederico Mariath, mas os homens de Garibaldi, contando apenas com cinco navios, menos equipados, conseguiram furar o bloqueio imperial. Depois de horas de batalha, a superioridade bélica da marinha imperial, se impôs sobre a pequena marinha farroupilha. Era o fim do sonho de um porto marítimo para os Farrapos.
Uma das últimas batalhas em solo catarinense foi a Batalha de Curitibanos, nas qual a cavalaria Farroupilha foi praticamente dizimada, e onde Anita, já ciente de sua gravidez, foi feita prisioneira dos imperiais, e Garibaldi ferido, sendo levado para a cidade de Vacaria, já no Rio Grande do Sul.
Da vida de Manuela se sabe pouco nesse período de 1839-1841, certamente vivia na estância, junto de suas familiares, junto de seus diários, contando sobre a Revolução, e seu desgosto de saber que seu amado havia se unido á Anita, não por casamento, mas pelo amor.
Rosário havia enlouquecido de amores por um oficial caramuru, que havia conhecido em Pelotas, e que havia morrido. Sua mãe a queria confinar em um convento, mas antes que sua mãe pudesse fazer isso, a jovem moça tirou sua própria vida com um punhal, nos fundos da charqueada da estância.
O luto novamente se abateu sobre a família.
Mariana a outra irmã de Manuela, também causava preocupação em Dona Maria Manuela: havia se apaixonado por um índio que era peão na estância. Meses depois veio a notícia de que Mariana estava grávida de João Gutierrez.
Sua mãe então lhe trancou no quarto e planejava lhe dar um chá abortivo, mas uma das criadas da estância percebeu, e avisou Dona Cayetanna, que conseguiu impedir que ela bebesse o chá .... 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Fotos de família 3...

Luiz Catão Réggio Pinheiro, Manoel Ignácio Pinheiro, Rui Régio  Pinheiro, Walter Pinheiro Duarte, Alven Pinheiro Duarte, Militão e Ivo Duarte, Cerro do Ubaldo, 1° distrito de Piratini.

Joseffa de Oliveira Farias, Edith Farias Pinheiro, João Francisco Pinheiro e Manoel Ignácio Pinheiro, Piratini, cerca de 1937.

Francisca da Conceição Crespo, século XIX.

Margarida Ignácia Pinheiro, Antônia Ignácia Pinheiro e o Capitão João Ignácio Pinheiro, foto da época da Guerra do Paraguai.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Fotos de família 2

Família de Adriano Eudóxio de Farias e Universina  Elena de Oliveira Farias, Piratini, 1932.

Família do Tenente-Coronel João Ignácio Pinheiro e de Ignez de Castro Ferreira Pinheiro, Piratini, 10 de outubro de 1911.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Foi Assim ...

Piratini, vista aérea 
Rio Grande de São Pedro, continente
Cobiçada pela Espanha, faz Portugal
Tratar de povoá-lo com boa gente, 
Garantindo sua posse-afinal.
E, para não mais sofrer desenganos, 
Manda os fiéis casais açorianos,
Raça forte, bom caráter e lutadora, 
Para povoarem a terra promissora

Coxilha de Santo Antônio, estrada
Caminho natural, das águas divisor, 
Roteiro secular, do peão, da tropeada,
Das marchas de guerra, do fervor,
Nascentes dos riachos,que dali, 
Correndo sul, formam o Piratini,
Rumando norte, vão fluindo,
Para o Camaquã, contribuindo.

Piratini, rio do peixe barulhento,
Em meio ás serras, correm suas águas,
Ora mais rápido, ás vezes mais lento,
Banhando o índio, lavando ás mágoas, 
Demarcou divisas com a Espanha,
Refletindo as lutas desta campanha.
Ponto inicial, marco de referência, 
Dos povoadores desta querência.

José Antônio Alves, vivia arranchado,
Entre dois galhos do rio Piratini.
Cuidando da lavoura e do gado,
Em três léguas de campo, por ai,
Filho da Ilha de Santa Catarina, 
Seguia sua vocação e sua sina,
Com Maria Antônia, seu bem querer,
Filha de Viamão, que a viu nascer.

Nos idos do ano de oitenta e oito, 
Chega o Azambuja, cabo de milícias,
Para notificá-lo, e com certo afoito,
Entrega o mandato de más notícias.
José, abre um demorado bocejo,
Ao ouvir a dura ordem de despejo,
Dada pelo comandante da fronteira, 
Deixando-o "sem eira nem beira".

Antônio José Feijó, o capitão,
Com ordens de Ribeiro, o coronel,
Leva o Xavier para fazer a medição
Do Cerro Pelado. Em seu papel, 
Traz dos casais, as nominatas, 
Dos que vão receber as datas.
Faz medir, marcar e dá posse,
Para que o casal viva ali e remoce.

Setecentas cinquenta de frente,
Por outras tantas braças de fundo,
Foi a área Régia presente,
A cada casal, no novo mundo,
Com a condição: de nela habitar
E com sua família trabalhar;
Não a vender, sem terem passados,
Cinco longos anos bem contados.

Oitenta e nove, do século dezoito,
Seis de julho, o dia está registrado:
Foi dada posse aos quarenta e oito
Casais; a cada um, o lote demarcado.
Vieram de longe- lá dos Açores,
Trazendo consigo- os seus amores,
Para na nova e estranha terra morar,
Com fé e sua descendência povoar.

Salve Nossa Senhora da Conceição,
Culto secular dos ilhéus povoadores,
Trazida com muito amor e devoção,
Do além-mar, das Ilhas dos Açores.
Legado de fé, dessa gente pioneira,
Que fizeram nossa Padroeira.
Seu santo nome, invocamos aqui:
Intercedei á Deus- por Piratini .

Autoria: Jayme Lucas D´Ávila, fonte Livro Povoadores de Piratini.