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domingo, 23 de junho de 2013

Três casas, três histórias.

"Tapera dos Duarte"
Sua data de construção é incerta, porém os antigos donos acreditam que sua  construção foi antes da Revolução Farroupilha (1835-1845), sendo de propriedade inicial de Leonardo Vaz, este, anos depois, já em sua velhice resolveu mudar-se para o Uruguai, indo, juntamente com esta casa, os campos dele á leilão. Simeão Estelita Duarte, morador da Villa de Piratini, adquiriu a casa e os campos de Leonardo Vaz. Este residia na sede da então Villa, juntamente com sua esposa dona Ignácia Vergilina e seus 4 filhos, e pelo falecimento de outras duas filhas do casal, resolveram  mudar-se para o campo e tornarem-se pecuaristas. Ali o casal viveu pelo resto da vida, quando em 1918 Simeão veio a falecer e dona Ignácia viveu com os filhos, noras e netos, até sua morte em 1924. Também foi usada como trincheira durante a Revolução Federalista, por pessoas envolvidas nesta. Após o falecimento de Ignácia, a casa passou a ser de seu filho, José Francisco Duarte, o Chiquinho que morou durante toda sua vida juntamente de sua esposa Maria Francisca, a Cotinha, filha do Tenente-Coronel João Ignácio Pinheiro, e de seus 13 filhos. Após a morte destes, na década de 1950, a casa passou a pertencer a sua filha, Noêmia Pinheiro Duarte, que solteira, viveu ali, juntamente de seus irmãos, na maioria solteiros, por cerca de 82 anos, até pouco perto de sua morte.
Localiza-se no 1º distrito de Piratini, no lugar denominado Passo do Alfaiate. É praticamente construída de pedras,  e sofreu reformas ao longo do século XX.

"Chácara dos Vimes", "Tapera dos Pinheiro" ou ainda "Tapera do Conceição".
Sua data de construção é incerta, porém segundo os seus antigos donos, foi construída  durante a Guerra do Paraguai (1864-1870). Construída a mando de Manoel José da Conceição, o Maneco Conceição, um dos homens mais ricos da época da Villa de Piratini. É construída em boa parte de sua estrutura em pedra. Em uma de suas paredes laterais, tem no alicerce uma pedra, na qual acredita-se que seja assombrada.
Serviu de residência a Manoel José e sua esposa dona Ignez de Castro Ferreira da Conceição e seu filho João Francisco da Conceição. Manoel era agricultor, e por motivo de estarem em meio á uma Guerra, este juntou seu dinheiro dentro de uma bruaca, e foi para o campo com um escravo. Chegando num determinado ponto, mandou o escravo cavar e enterrar o dinheiro. Feito isso, deu um tiro no escravo e o enterrou junto ao dinheiro, com a desculpa que seria para que o escravo cuidasse seu dinheiro. Assim este foi enlouquecendo. Um outro dia, foi vistar sua plantação de trigo, que tinha nos fundos da sua residência, e chegando lá resolveu colocar fogo na resteva do trigo, e assim fez. Mas o fogo se alastrou e acabou incendiando todo o trigo que secava ali perto. Não demorou muito tempo para que este adoecesse e acabasse morrendo na década de 1880. Assim Ignez jovem, viúva ficou com seu filho para criar e a propriedade para tocar em frente. Logo fatos no pais aconteciam, tais como a abolição da escravatura e a chegada da República.
Então no ano de 1889, Ignez aos 28 anos se casa pela segunda vez, desta com o Tenente-Coronel João Ignácio Pinheiro, também viúvo e com uma filha, já adulta e casada.
Ambos se casam e vem a residir na Chácara dos Vimes, onde, juntos tem 7 filhos.
Após a morte do casal, na década de 1910, a residência passa a ser de seu genro, José Francisco Duarte, casado com Maria Francisca Pinheiro, a Cotinha, filha destes. Após algum tempo, o casal vai residir na propriedade dos pais de José, e a residência passa a pertencer ao filho mais moço, Manoel Ignácio, este que alguns anos depois casa-se com dona Edith de Oliveira Faria, e tem 11 filhos desta união, todos nascidos na Chácara. Durante a Revolução de 1923, Manoel sendo de um dos lados envolvidos, entrincheira-sem, junto de sua esposa e filhos, na Chácara. Muitas outros fatos foram ali acontecidos. Mas muitos não se sabe ao certo.
Hoje em dia pertence á uma neta de Ignez e filha de Manoel Ignácio.
Localiza-se no Passo do Conceição, no 1° distrito de Piratini.

"Tapera dos Crespo"
Construída antes do inicio do século XX, por André Lucianno Crespo, uruguaio, morador na então Villa de Piratini. Vindo do Uruguai na primeira metade do século XIX, casou-se com Francisca da Conceição, filha de um dono de terras na localidade do Cerro da Conceição. Pouco se sabe sobre a vida deste casal após o casamento que se realizou nesta cidade em 1840, durante a Revolução Farroupilha. Durante o período que pertenceu ao seu filho, Affonso Cassiano, era utilizada durante as atividades pastoris da família como lugar de guardar arreamento e outros objetos ligados a esta atividade. Durante algum tempo serviu de residência para uma das irmãs de Affonso Cassiano, que era solteira. Conta-se que esta possuía uma certa quantia de moedas de ouro, as ditas "onças", e que sempre as enterrava em tempo de guerras, ao lado de uma pedra próxima a casa. Porém quando estava na velhice ocorreu uma revolução, certamente a Revolução de 1923, na qual ela novamente enterrou suas moedas, mas após o termino desta, nunca mais achou onde estavam. Porém, anos mais tardes foram descobertas e roubadas.
Também foi sitiada pelas forças dos "Chimangos", durante a Revolução Federalista (1893), e estes atacaram o rebanho de cabras que a família possuía na propriedade, com violência, dizimando o rebanho, que foi destinado a alimentar os soldados.
Foi sempre habitada por os descendentes de André , no século XX e XXI.
Também é considerada um local assombrados, pelos relatos contados pelos seus antigos donos.
Sofreu reformas em toda sua estrutura, inclusive no formato original de seu telhado, que era em formato "cupair", passando a ser em formato de "oitão". Também foi renovado seu reboco original, mas mantendo as portas, portais e janelas originais de cedro.
Localiza-se na localidade do Passo do Fio, no 1º distrito de Piratini.



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Prédios Históricos de Piratini, 02

 Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída a partir de 1854, substituindo a antiga capela. Sofreu um incêndio em 1921, avarias em umas das torres, após um temporal. Sua primeira forma foi de apenas uma torre.
 Palácio da Prefeitura Municipal de Piratini, construída na década de 1850, e remodelada na década de 1930, por Miguel Carrossiello.
 Palácio onde funcionou a sede do governo republicano,quando Piratini foi capital da República Rio-Grandense, sendo uma construção do ano de 1826, sendo erguido para moradia particular. Hoje funciona a sede do Museu Municipal Barbosa Lessa.
 Antiga Casa Comercial dos Fabião, prédio em estilo eclético, construído no ano de 1903.
 Museu Histórico Farroupílha, construção do ano de 1818, pelo Capitão Manuel Gonçalves de Meireles, sendo residência particular por muitos anos, sendo mesmo uma Escola no século XX.
Sobrado dos Azulejos, a qual pertenceu á Vicente Lucas de Oliveira, ferrenho Farrapo. Todo ornamentado com azulejos portugueses em sua fachada. Hoje em dia serve de residência particular.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Prédios Históricos de Piratini 1

 Antiga Casa do Comendador Fabião, construção do século 19.
 Antiga Casa comercial dos Moreira Fabião, construída primeiramente para ser a Cadeia, na década de 1850.
Antiga sede da Estância Venda da Lata, onde havia um comércio, ao lado desta, pertenceu á Alberto Dutra de Farias, abastado dono de terras, no primeiro distrito de Piratini. Hoje encontra-se em ruínas.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Sobrado da Dorada


Construído por volta de 1830-1840 , este é o famoso Sobrado da Dorada, um dos mais belos exemplos de Arquitetura de nossa cidade.
Chegando em Piratini, no final da década de 1820, o médico francês José Afonso Gassier, casou-se com Florinda Pimentel de Melo, viúva de Francisco Moreira da Silva Verde, o qual foi signatário da Ata de Sessão Extraordinária da Republica Rio-Grandense, datada de 16 de novembro de 1837.
Ficando viúva deste primeiro esposo e tendo toda vida pela frente, Florinda casa-se com o Dr. Afonso, sendo este um dos casais mais abastados da época, uma vez que ela era neta de Vicente Lucas de Oliveira, um dos políticos e estancieiros da Vila de Piratinym.
Após o consórcio deste casal, os mesmo passam a residir em uma casa modesta á frente do atual sobrado.
O doutor começa á atender seus clientes e logo ganha a simpatia da população, em uma das épocas mais convulsivas da história de nosso estado: a Revolução Farroupilha.
Então, não levou muito tempo para que ele conseguisse juntar dinheiro para construir um suntuoso sobrado.
Foram trazidos da França azulejos, os quais ornamentam toda a  fachada, portas feitas com madeira de lei, portas com vidraças ornamentadas com desenhos, além de uma lareira de mármore branca, e os quatro animais, um cachorro, o qual foi o único que restou nos dias atuais, um tigre, um leão e um cabrito, em cima e quatro dos seis pilares que ficam em cima da denominada "açotéia", uma espécie de sacada, em cima do quarto no qual o médico atendia seus pacientes.
A residência era também onde aqueles que sem condições financeiras, ficavam aos cuidados do médico, tanto que esta açotéia servia também para deixar os pacientes tomarem Sol durante seu tratamento.
Muitas pessoas morreram neste residência, e por serem pobres, ou por outros motivos, eram sepultadas nos arredores do Sobrado. Daí partem ás inúmeras lendas de que este Sobrado seria assombrado.
Os anos passaram, e o casal não gerou nenhum filho, então decidiram adotar um menino, filho de parentes distantes de Florinda, chamado Affonso Cassiano Crespo, este que foi seu afilhado.
Na década de 1860, vendo que não havia um Cemitério Publico, para uso de pessoas menos abastadas, o doutor Gassier doa a comunidade um terreno para que seja construído o cemitério.
Então é fundado o Cemitério Santo Afonso de Ligório, o atual Cemitério Municipal, no final da década de 1860.
Conta-se que em seus fundos, havia uma fábrica de foguetes, pertencentes aos irmãos Gonzaga, a qual foi demolida anos mais tarde até os alicerces.
Os anos vão passando e a velhice começa a chegar para o casal, e então, já um homem feito, Affonso Cassiano, casa-se com a pelotense Maria Augusta Carvalho dos Santos,e os dois amparam o casal na velhice.
No início da década de 1890, o casal vem a falecer, sem filhos ou parentes próximos, o Sobrado então é deixado para Affonso, assim como os outros bens do casal.
Ali Afonsso e Maria Augusta criaram seus treze filhos, dentre estes, uma das mais novas, chamada Doralina, a qual todos conheciam por Dorada.
Dorada, nasceu no Sobrado, no ano de 1900, era uma das mais belas moças da cidade.
No final da década de 1920, Dorada casa-se com o italiano Humberto Gottuzzo, desta união surge apenas um filho, Affonso de Jesus.
No final da década de 1930 morre Affonso Cassiano e mais adiante, em 1948, morre Maria Augusta, ficando assim para Dorada, assumir o Sobrado.
Viúva, e com seu filho morando em Pelotas, Dorada resolve chamar uma de suas irmãs, Ambrozina, para morarem juntas, uma vez que ambas eram viúvas, aos cuidados de uma filha de criação.
Mas sempre haviam por ali seus irmãos ou sobrinhos, que seguidamente pernoitavam no Sobrado.
Já bastante idosa, Dorada, fica doente e morre no Sobrado.
Então passa a ser posse de seu filho, Affonso de Jesus, o qual aluga para várias pessoas o Sobrado.
Hoje em dia pertence á viúva de Affonso, D. Maria, e encontra-se em precárias condições de conservação, mesmo sendo patrimônio histórico, tombado pelo IPHAE.
Localiza-se na Rua General Neto, no Bairro Santa Izabel,em Piratini.
-Erasmo Bonotto Pinheiro Crespo