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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Vício

Tu é como uma droga
Uma substância que me deixa excitado naquele momento
Faz aquele estrago
E depois vai embora.

Tu é como a água
Na que eu atiro meu corpo
Seco.

Tu, que dilata as minhas veias
Me atormenta
Me acalma
E de teu corpo me alimenta.

É tu, que me faz sentir essa tal paixão
Que não é mera atração
E nem por isso está ao meu lado.

Essa tua presença, que me de dá vida e logo me mata
Chega como um temporal arrasando tudo
E depois que vai embora,
Não consigo me contentar com a leve brisa
Da tua lembrança.

Espero, que tu um dia volte para ficar
E não de pequenas doses,
De ti quero me embriagar
Então, nós dois iremos embora.


Erasmo Pinheiro. Piratini, 29 de abril de 2015.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Eu, o amor.

Sou a gota do orvalho, segurando na ponta da folha.
Sou a armadura do soldado,
A coberta do desabrigado
Sou aquilo, sou isto.
Sou o tudo, sou o nada.
Sou aquele que foi negado.

Sou a ilusão do tolo
A realidade do cético.
O ouro do ambicioso
A água do mar.
Sou a chama da vela
Sou o Sol vertiginoso.

Sou a pergunta do curioso
Sou a curva dessa estrada.
Sou o que é
E o que foi.
Sou o vício do perdido
A cura tão esperada.

Sou o princípio
E também o fim.
O certo e o incerto.
Sou o todo
E o nada.
Sou o impalpável
Mas também o concreto.

Sou duas metades de um só.
Sou mão
Que desata o nó.
Sou o que explode de alegria
E o que de saudade rasga um coração.

O amor sou eu
E sou eu o amor.
Esse é meu

E também é teu.


Erasmo Pinheiro, Piratini, 21 de abril de 2014. 

sábado, 15 de março de 2014

Não, eu não gosto de ti.

" Aprenda que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores" 
- William Shakespeare. 


Não, eu não gosto de ti.
Até mesmo por nossas diferenças,
Resumidas num por que,
Tornam-se cada dia mais espeças.

Gostar de ti, eu não gosto.
És tão sem graça e insosso,
Tímido que dá até dó.

Não, eu não gosto de ti.
Muito menos por que não te conheci ontem
Sei de defeitos que traz ai.

Sei que do amor não és admirador.
Pois já sofrestes da dor
E teve o sentimento partido em mil pedaços.

Não, eu não gosto de ti.
Por mais que brotem lágrimas a cada despedida nossa,
Eu de ti não gosto, juro aqui ou ali.

Não, eu não me canso de repetir,
Eu não gosto de ti!
Pois fiquei certo ao descobrir
Que na mais impreterível verdade.

Só sinto amor por ti.

Pinheiro, Erasmo.
Piratini, 13 de março de 2014. 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A Vida Continua...

Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos.
-Oscar Wilde;


Mesmo que um dia, eu não te veja mais,
O vento continuará a soprar.
Mesmo que meus olhos não brilhem mais ao te ver,
O Sol continuará a brilhar.
Os pássaros continuarão a cantar.
Mesmo que eu nunca mais escute tua voz,
Mesmo que tua ausência se impor sobre meus dias,
Se não puder domar essa saudade feroz,
Viverei de pequenas alegrias.

Tentarei, mas nada prometo,
Viver e ser forte.
Mas,
Nunca, isto juro, te tirarei do pensamento.

Quando a saudade espremer meu peito,
Os olhos fecharei.
E tua imagem para mim sorrindo, contemplarei.
Amenizando assim, essa solidão,
Que insiste em rondar
Meu coração.

O duro é saber que quando me deixares,
A vida continuará.
Que talvez nunca mais se cruzarão nossos olhares.

A vida continua.
E tanto dói em mim.
Saber que depois de tua partida,
Dia após dia,

Será o meu fim.

Pinheiro, Erasmo.
Piratini, 15 de Outubro de 2013.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Um punhado de lembranças.

Afogar-me em lembranças foi o que me restou.
Desde que tu se foi.
E a solidão ao meu lado se apresentou.

Emergimos os dois daquele poço de lama.
Tu sobreviveste ileso a isso.
Por mim nenhuma lágrima derrama,
Já eu,
Bem, eu
Rios de lágrimas choro.

Voou pelos ares, bela ave,
E eu resumido a pó no chão fiquei.
Tu nem sabe, que desejo tanto que voltes aqui e me salve.

Soltastes minha mão,
Depois de me ensinar a ser eu.
Um eu que nem eu desconfiava existir.
Retirou de meu rosto espesso véu.
E eu me virei no que agora sou.
No começo cabalei,
Depois pude meio que firme, adiante seguir.

Há horas que olho para trás e lembro-me de ti, e de tudo que vivemos.
De minhas ilusões sobre te amar.
Das boas horas que contigo passei, depois que nos conhecemos.
Tudo isso, serve hoje para somente eu recordar.

-Pinheiro, Erasmo.

Piratini, 07 de Outubro de 2013.

sábado, 14 de setembro de 2013

Mais uma história, sem o "Final Feliz".

Fins de julho. O ano era de 1890.
Sentada á beira da janela num fim de tarde de inverno. O vento que vinha galopando pelas coxilhas do Pampa, agora adentra as janelas do velho sobrado. Sim, aquele velho sobrado no centro de Pelotas, fronteado para a praça da igreja, serve de residência para a velha senhora de cerca de 80 anos.
A única companhia que a vida lhe deixou, foi a própria solidão, que se mantinha fiel á ela. Presente em todos os momentos de sua vida, desde que ela tinha 17 anos. Desde então sua vida se tornou insólita e vazia, deixando- a viver como um ser vazio.
Seus olhos azuis foram à última beleza que a vida por devaneio talvez, não lhe tirou. Estes eram sempre, nos fins de tarde, presos na imensidão do horizonte. Procuravam, aquele rapaz, que a tantos ano havia deixado de fazer parte de sua vida. Deixado talvez não, pois ele sempre vinha visitar ela, quando esta fechava suas pálpebras, desejando com todas suas forças que ele estivesse ali, dentro de um mundo só dela. Era apenas fisicamente ausente.
 Um mundo aonde, ele ainda vinha lhe ver, com aquele sorriso doce, que somente ele sabia esboçar.
O vento frio transpassava sua pele enrugada e seus cabelos fracos e tordilhos pelo rigor dos anos. Balançava as cortinas de seu quarto. Sabia que o frio lhe faria mal a saúde, já debilitada pela idade. Mas nada mais lhe importava. Talvez queria mesmo que a ceifa da morte lhe tragasse a vida.
Não tinha nada mais a desejar da vida. Faziam quase 63 anos que havia se despedido de seu único amor. E aquela imagem era, em sua lembrança tão nítida, mesmo havido transcorrido mais de meio século. Era um dia de Sol, numa manhã. Ainda sim podia sentir novamente sua respiração acelerar, e suas mãos tremerem. Aquele dia havia fica marcado para sempre, como um divisor de águas, que dia após dia, ia lhe matando. Mas que por maldade divina não lhe matava de uma vez só. Se bem que cada dia que vivemos, é um a menos que temos de vida. Foi uma difícil despedida.
Eram bons amigos. Uma dessas amizades que surgem do nada e se tornam a cada dia mais forte. E ela, a pobre moça, teve a sublime e infeliz sorte de se apaixonar pelo amigo. É, assim do nada, um dia notou que amava incondicionalmente seu amigo. E não se via mais sem ele por perto. Olhava, desde então o mundo com os olhos brilhando, inundados deste amor.
Um moça, que já era, desde muito nova, prometida pelos pais á uma primo que morava distante dali. E este amigo, agora á ela confidenciava suas desventuras amorosas. E ela sofria junto dele, em silêncio, e nada podia falar. Sabia que o coração dele era do mundo, das artes, era livre. E aquilo foi somente crescendo dentro dela. Havia encontrado aquele que sempre havia habitado seus sonhos, os mais magníficos sonhos.
A cada dia que conhecia-o mais, mais tinha certeza de que era ele quem moraria dentro de seu peito para toda sua vida.
Foi á época mais feliz da vida dela. A época em que sentia flutuar sentia seus pulmões se encherem de ar e dar ânimo ao sua alma.  Na simplicidade de seu amor, somente de tê-lo presente em suas manhãs, já era uma vitória sem preço. Agora ela, no fim de sua vida, podia perceber que aquele amor viera em sua vida, talvez somente para suprir a falta de amor que vinha de seus pais, Porém, quando ela estava no apogeu de seu sentimento pelo moço, seus caminhos tomaram rumos diferentes.
Nos primeiros dias após tão dolorosa despedida, não passava um dia sem chorar, até cansar. Preferia fugir, para algum lugar onde não tivesse ninguém. Sentia certo ódio das pessoas todas, por não serem como seu grande amor. 
O desespero foi tanto, que em inúmeras vezes ela tentou suicídio. Remédios em altas dosagens, sufocamento, e até afogamento, foram tentados por ela, nas suas tentativas de burlar o sofrimento gerado pela falta de seu amor.  Seus pais, agora entendendo o que a filha mais moça queria, trancafiaram no quarto, eliminando todos os objetos que ela podia usar para se matar, deixando-a como uma doente perigosa. Logo, cerca de dois meses depois, ela começou a aceitar a realidade dos fatos, que a vida continuava.
E assim foram os anos, vagarosos, passando. Mas ela, por ainda certo efeito desse amor, se mantinha esperançosa, que ainda iria viver o amor com o moço. Uma loucura, insana um tanto. Então a realidade, foi aos poucos se assentando em sua ideia. Viva dias bem alegre e falante com as pessoas de sua casa. Noutros, fechada e silenciosa, remoendo aquela angústia ingrata. 
O tempo foi passando, e seus pais resolveram que assim como ela desejava, iria ser solteira para o resto da vida.  Temiam que o casamento forçado lhe fizesse mal á saúde mental.
Assim aos poucos teve de se despedir de seus entes queridos. Primeiro os pais, depois os irmãos.
O sobrado da família foi se esvaziando. Deixando espaço a uma nova moradora: a solidão,que seria sua eterna companhia.
Apenas os criados ali ficaram junto dela. Mas pouco se viam. Ela passava o dia todo no quarto, escrevendo seus anseios em diários. Mal comia e tão pouco saia de casa, isto que só fazia em caso de extrema necessidade.
Os anos continuavam a passar e passar. Havia cerca de 20 anos que ela não sabia uma notícia de seu amado. Isso era a mais dolorida das feridas. Uma ferida na alma. Uma dor fina e intrínseca.
Lamentava cada novo dia que nascia. Lamentava toda noite que chegava ao fim. Lamentava ainda estar viva. 
Nem a beleza e a sensação de renascer das primaveras lhe animavam mais. Logo vinha os longos invernos, solitários naquele sobrado. 
Da janela ela observava as pessoas que perambulavam pelas adjacências da sua casa. Eram figuras cinzas, sem beleza alguma, vistas por ela. Alguns debochavam dela, chamando de louca e outros apelidos maldosos, á velha moradora do sobrado.
Era uma vida sem vida. 
Um dos únicos lugares que ainda podia sair e que suas forças lhe permitiam ir, era aos sepultamentos dos parentes e conhecidos. Logo voltava para casa e lá se trancafiava, junto das lembranças do passado, estas quais lhe mantinham viva.
Sentia que era covarde, por nunca ter dito á ele, do que sentia. Por não ter fugido de casa, se o caso fosse necessário. Mas ter sim lutado até perder suas forças pelo seu sentimento amoroso. Porém agora não adiantava mais lamentar e se torturar. O baú do tempo havia sido selado e eternamente fechado.
Pensando nisso tudo, a velha senhora, sorri. Sim, sorri. Sorri, pelo fato de ter amado. Pelo fato de ter sentido aquele sentimento inexplicável. Por ter sentido seu sangue pulsar mais forte. Por ter tido um amor, daqueles que fazem as pessoas sentirem-se plenas e completas, só pelo simples fato de amar.
Levanta-se, agora, de sua cadeira de balanço e cerra a janela. Respira fundo e sente que ao fim daquele dia cinzento de inverno, pôde renascer. Renascer de suas próprias cinzas. Pois somente pode renascer das cinzas de seu coração, aquele que ardeu ao Sol, de uma paixão. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Uma despedida ou um sonho?


Despeço-me de ti, dia após dia,
Uma despedida mórbida e insensata
Que vai sugando de mim, o que restou de alegria,
Esta, já é morta e enterrada,
Que vai descansar, desossada
No cemitério de minhas lembranças.

Dias sutis vão passando
E eu não os acompanho,
Porém o mundo vai girando,
Sem que eu perceba,
Ou talvez perceba,
Que estou me despedindo
Com toda certeza,
De mim mesmo.

Mergulhei tão fundo nesse sonho,
E agora um balde de água fria
Traz-me de volta á este mundo bisonho.

Ficará apenas em minhas lembranças
Como duas estrelas cintilantes
Estes teus olhos,
Que recordarei todas as noites, com imensa saudade
E sem alguma esperança...

Pinheiro, Erasmo;
-Piratini, 11 de setembro de 2013.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Menina Primavera.

Primavera chegará logo, logo,
Os bons ventos e o perfume das flores,
Voltarão depois do inverno longo.

Voltarei a escutar o suave canto dos pássaros,
Nas doces manhãs de primavera,
Deleitar-me com o perfume que o vento carrega em seus braços,
Na estação mais linda e sincera.

Renascerei das minhas cinzas,
Caminhando rumo ao desconhecido,
Desvencilhando-me das densas neblinas,
Que o inverno trouxe para mim.

Anseio que ela seja tão duradoura quanto foi o meu amor,
Que resistiu a tudo,
E agora será aquecido pelo bom calor,
Que de mim foge, se me descuido.

Primavera e seu encanto de menina,
Suave e graciosa,
Nunca me desanima,
Pois sei, que nada na vida,
É mais belo que a primavera!

-Pinheiro, Erasmo;
Piratini, 01 de Setembro de 2013.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Malditas Rimas.


Como irei enfrentar cada dia
Sem a tua companhia?
Terei de me consolar a mim mesmo,
Proteger-me do frio da noite,
Da solidão também,
No coração, este dolorido açoite.

Sei que nada posso fazer,
Em relação á nós dois.
A não ser
Estas malditas rimas
Escrever.
Também assistir os dias passarem,
O tempo escorrendo por entre meus dedos,
Como um elixir que adia minha morte,
Se desintegrando e sumindo no ar,
Para minha total falta de sorte.

Malditas rimas, sem sentido algum,
Surgem da minha desilusão e sofrer,
Do saber que momento nenhum,
Poderá meu amor corresponder.

Vão se os dias passam-se as semanas,
E as coisas continuam do jeito de sempre,
Regados á minha covardia,
E do teu desamor,
Que a cada dia mais se firmaria.

Sim, são malditas rimas,
Mal ditas,
E mal escritas.
Por mim,
Que no túnel da vida,
Não vê a branca luz, nem o derradeiro fim.

E assim nada podia mais fazer,
Se não queimar e queimar meus dias,
Porém sem os viver.
Guardando na imensidão da noite,
As cinzas de minhas poesias.


-Piratini, 26 de agosto de 2013.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Queria Ser.

Uma bela ave queria ser,
Que plaina pelo ar.
Mas uma ave morre junto ao amanhecer,
Depois de suavemente cantarolar.

Uma pétala de jasmim queria ser,
Que perfuma o teu jardim,
Mas uma pétala, junto da flor vai morrendo até desaparecer,
Ao mesmo tempo em que reportas teu olhar a mim.

Uma onda do mar queria ser,
Que reboja pela praia.
Mas esta é feroz no alvorecer,
E da moça praiana, rasga a saia.

A alva Lua queria ser,
Que ilumina as noites de verão.
Mas a Lua tem de morrer para o Sol poder nascer,
E fica escondida na distante imensidão.

O teu amor queria ser,
Para regar minha vida de alegria.
Mas o teu amor não posso ser,
Renegas o meu sentimento com uma negação tão fria.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Adeus

Dizer adeus
Nunca queremos
Nem coisa de cristãos, nem de ateus,
Nem quando, nem como sabemos.

A saudade
De quem nos faz falta,
Na alma faz covas
Dilacera, destrói.
Mortifica
Consome, corrói.

Faz o homem ser fraco, impotente,
Diante de tamanho sofrer,
De não ter ao seu lado
Seu bem querer.
Se fosse fácil a partida,
Quando a dor se impregna,
E transborda pelos olhos,
A alma fica derretida.
O sal da verdade,
Ver quem se ama
Ficar a doce imagem no triste reflexo,
 Da saudade.

Vai indo tu em direção a um denso nevoeiro,
De repente sinto em meus olhos,
Um incurável argueiro.
Tu somes, como um fantasma, uma miragem
Algo surreal.
Só eu nesta triagem,
Tu acima do bem e do mal,
Vai embora, para tão longe...

É inevitável eu sei,
Tua partida.
Mas se eu pudesse prender dentro de mim
Tua imagem me dizendo qualquer coisa que fosse,
Reviveria todos os dias de minha vida,
Até o meu fim.
Juntaria as cinzas de meu coração,
Guardaria dentro de uma caixa,
E somente a ti daria com tamanha emoção!
Não importa o tempo que for,
Eu esperarei tua volta,
E lhe oferecerei de novo todo meu amor.

Confio que o vento trará teu aroma de flor silvestre até mim,
E despertará meu viver
Num só estopim.
Mas por vezes vejo que não é simples assim,
Não sou nem serei tão importante para ti com tu és para mim.
Mas em fim,
A saudade tua se põe com todo seu peso,
Sobre mim,
E meus ombros não são fortes para aguentar,
Por vezes sinto
Que vou fraquejar,
Não lhe minto,
É assim mesmo a saudade!

Que os bons ventos da primavera te tragam de volta,
Mas que desta vez, fiques aqui,
E tua chegada seja como Sol do alvorecer.
De toda alegria,
O renascer...

domingo, 7 de julho de 2013

De onde vem a inspiração?

De onde vem a inspiração?
Talvez ela emerja de teus olhos cor de terra.
Talvez bem do fundo de meu coração,
Onde nem eu conheço direito
Lugar de meus mais belos sonhos
Onde brota um amor desse jeito.

Eterno, não sei se será,
Mas sei que inda me conduz
Por um escuro mar de ilusões,
Tão grande este meu amor que a ti faz jus,
Navegam todas as mais irredutíveis emoções.

Toca-me
Ama-me
Conduz-me
Aviva-me
Eu poeta, tu poetisa.

De onde vem a inspiração?
Vem das lágrimas de orvalho das azedas manhãs de inverno.
Vem do não ver-te.
Do não saber-te.
Isto que transforma meu dia num inferno!
Ou talvez quem sabe da mais nostálgica modinha,
Filha do poeta saudoso,
Declamando a boa namoradinha
Um verso doloroso.

Vem ela junto com a dor,
O sofrer amargurado,
Daquele que não pode consumar seu amor.
Mas antes vale um coração cheio dele e feliz,
Do que cheio de inspiração e desolado.

sábado, 6 de julho de 2013

Poesia do Coração

"O amor deve repousar sobre seu apetite, mas não sobre sua fome"


Que disparate este meu amor por ti!
Como ousei me enamorar de ti?
Nunca me deste esta liberdade,
Foi aos poucos que o recebi,
E dentro do peito o prendi.

Este teu doce jeito,
Encantou-me.
Perece que não tens nenhum defeito!
É um ser de virtudes!
Habita meus sonhos,
E faz-me viver em plenitude.

Julgo não ter nenhuma outra pessoa, a ti semelhante
Nem tão pouco parecida
Deste teu puro semblante.

Este meu ardoroso desejo,
Prefiro que nem saibas.
Sei que podes agir com desprezo.
Ou quem sabe com um beijo...

Não sabes o bem que me faz,
De estar perto, nem que por poucos minutos sejam.
Faz-se um combustível de um fogo voraz.

Vivia eu, sem vida na escuridão,
Tu foste a luz,
De minha existência a salvação.
E para ti, com todo meu amor,
Meu coração,
Essa poesia compôs....

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Nosso Tempo


Lá vem mais um dia
Passava tão ligeiro,
Piscava meus olhos e lá se ia.

Desde que você, por perto de mim estivesse,
Já meu dia valia.
Por mais curto que fosse,
Nosso tempo.

Nasceu, cresceu e me habita
E não á nada que digam contra,
Só ouço meu coração dizer:
-Não desista!

Se tua presença fosse constante,
Nem o ar se faria ausente.
Meu coração, nesta gaiola de dor e amor é preso
E só ao teu lado sinto ele livre,
Quebrando amarras e correntes,
Faz-me voar! Faz-me viver!

Tomas-me como amigo, mais um,
Fazer mais que isso,
Sei que não podes.

Vem a doce brisa do final da tarde,
Acarinhar meu rosto.
Sinto tua presença,
Meu coração, em fogo arde.
Derrete em brasas meu coração de ferro,
Mas ao perceber que é ilusão, me encho de desgosto.

Lá no horizonte,
De repente tua imagem surge,
Pernas e mãos tremem
Minha vida, como uma Fênix, das cinzas ressurge.

sábado, 29 de junho de 2013

Tu

Tão doce, tão amargo.
Tão longe, tão perto.
Tão quente, tão frio.
Tão certo, quanto incerto.

Primeiro dia de Sol,
Foi-se a chuva fria.
Nada mudou tudo normal,
Você não me sentia.

Só poderia gritar com o olhar,
Talvez tu não entendas.
Nem minhas palavras,
A ti meu amor, podia pronunciar.

Isso vai me corroendo por dentro,
Mas também vai me aviventando.
És de meu universo o centro,
Mas nem sabes,
Nem saberás...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O beijo que eu nunca lhe dei.

O beijo que eu nunca lhe dei...
Que em meus lábios o prendi,
Desde a primeira vez que eu lhe vi.
Beijo, que vou guardar,
E somente vou dar a ti.

Queria ter a coragem de te dizer,
Que me faço por ti apaixonado.
Só tu completas meu ser,
E me dá coragem de cada dia
Viver...

O beijo que eu nunca lhe dei...
Secou minha alma,
Tirou-me o sono,
Mas ainda arde como uma chama,
Um fogo,
Em que cada vez mais me queimei.

Tu, bela cigana,
Nunca me deu esperança,
Por isso não me enganas.
Nossa amizade faz-se como uma aliança,
Mas por minha vontade seria bem mais...

O beijo que nunca lhe dei...
Nunca morreu dentro de mim,
E quase se liberta,
A cada vez que sinto este teu doce cheiro de alecrim.
E tua boca doce e suave,
Para o meu sofrer,
Seria como uma chave,
Para o fim do meu desmerecer.

Este beijo, só em minha imaginação se faz real,
Já que a ti não posso dar.
Mas quem sabe no final,
Eu não consiga o libertar...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Namoro ao luar.

As estrelas cantam e dançam
Pelo majestoso salão celeste.
Formosas, nunca se cansam,
De bailar, do Norte ao Sul,
Do Oeste ao Leste.

Cintilantes, pequeninas
Bailam todas juntas,
Belas moças e meninas,
No sarau da Lua.
Esta mãe de todas,
Ilumina cada filha sua.

Magnífica Sonata,
Que o amar na Terra desata.
O meu por ti,
E o teu por mim.
Teus olhos brilham incessantemente
A cada vez que me vê
Deixando-me tão contente.

Ao bailar, a Lua é nossa confidente,
De nosso namoro escondido,
Que tanto faz bem há este adolescente,
Por ti apaixonadamente perdido!

Por vezes acho que a Lua é minha paixão
Aquela que faz um sorriso em meu rosto brotar,
E no peito palpitar este meu coração
Quando a mim este festejo iluminar.

Mas ainda sim ela não tem tua doçura e beleza,
Pode dançar e iluminar,
Ela só transmite-me frieza,
E tu só queres me amar.

Por fim,
Este namoro ao luar,
Faz-me assim,
Cada vez mais te amar!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Se um dia eu sumir...

Se um dia eu sumir...
Nunca mais vais me ver
Minha figura
O meu ser.

Pegarei a estrada sem volta
Sumiria no horizonte.
Dissiparia como fumaça,
Depois do Sol poente.

Se um dia eu sumir...
Não sei se ficarás triste ou contente;
Preocupada, ou despreocupada
Depois que eu me fizer ausente.

Mas um dia vai acontecer,
Queiramos ou não.
Faz parte do nosso viver.
Viver depois a solidão.

Se um dia eu sumir...
A saudade de mim bater,
E não me tiver por perto
Mas mesmo assim eu não aparecer
Ainda assim, eu te amarei por certo...

Entre idas e vindas,
Quem sabe numa dessas esquinas
Possa te encontrar,
Vestida nas vestes mais lindas.

Não sei se ainda vai estar solteira,
Ou casada quem sabe,
Mas ainda te amarei da mesma maneira.

Se um dia eu sumir...
Talvez eu volte ou não,
Mas se por ventura sim
Para quem sabe assim
Conquistar teu coração!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Graça da Rua XIV

Sentei-me próximo dela. Buscava, sim, buscava em sua fisionomia algum detalhe que não me fizesse bem aos meus olhos. Tinha em seu olhar ainda a ingenuidade de uma criança, que pouco sabe da vida. Seu perfume era de flores silvestres, que adoravelmente viajava pelo ar, enfeitiçando-me.
Naqueles dias que haviam sucedido, este que vos lhes conto, fazia falta a paz em mim. Nada me alegrava nada me completava. Desde que me mudei para a capital, não havia me identificado com nenhuma outra pessoa. Eram todos diferentes de mim. Seus passos, olhares, modos, nada era como os dos meus conterrâneos, nem como os meus.
Fazia dois meses que havia vindo morar em Porto Alegre, por que em minha cidade não havia faculdade de medicina. Meus pais se preocupavam com os meus estudos, e não queriam que tivesse o triste destino de permanecer na pequena Vila de Piratini.
Corriam os primeiros anos do século XX, várias mudanças ocorriam pelo mundo afora, e aqui no Rio Grande do Sul não era diferente.  No lugar de velhas carroças, surgiam os primeiros carros, poucos, mas já estavam em circulação nas poucas ruas já pavimentadas da capital. Existiam postes, abastecidos com óleo de sardinha, que iluminavam as ruas da cidade, até pouco depois da meia-noite.
Morava numa pequena pensão situada numa rua adjacente próxima da Rua da Praia, onde passava quase todo dia estudando e dando o melhor de mim, para que quando mandasse uma carta aos meus pais, pudesse lhe reportar alegria e lhes dar o orgulho de ter seu único filho formado, como médico. Se desse sorte, podia ir medicar em minha terra natal. Só imaginava minha velha mãe, orgulhosa de seu filho, lendo a luz de vela minha carta.
Mas isso levaria tempo.
Não podia me dar ao deleite de apaixonar-me por a filha do banqueiro, isso podia me atrapalhar em meus estudos.
Todos os dias quando saia da pensão, pondo-me a caminho da faculdade, a via saindo de casa, sempre acompanhada de seu irmão mais velho. Não deixava que percebesse que eu a admirava, e, quase pechava nas senhoras que ia a missa pela manhã. Uma vez que era órfã de mãe, sempre acompanhava seu irmão no trabalho deste no banco da família. Por certo, achava cansativo passar o dia todo solitária no sobrado da família, e seu pai preferia ter sua bela caçula sob seu rigoroso olhar. Ficava o dia todo junto de seu pai, em sua sala, no banco.
Seus longos cabelos castanhos claros eram levemente atados por uma delicada fita de cetim, de cor azul claro. Eram os mais belos de todas as moças da capital, e quiçá do universo. Pelo menos para mim eram. Longos, eram singelamente embalados pela leve brisa do ar matinal que soprava do Guaíba. Suas pequenas mãos delicadas eram cobertas por luvas brancas, que apertavam uma pequena bolsinha que sempre carregava consigo. Vestia-se sempre com belíssimos vestidos, sempre feitos dos mais caros e valiosos tecidos, que seu pai mandava fazer com a modista francesa que tinha uma loja na Rua dos Andradas.
Em meus mais íntimos pensamentos, despia-a em meu subconsciente, e projetava tal formosura, onipotentemente superior á uma das três graças acompanhantes da Primavera, obra do pintor renascentista Botticelli. Mas podia ele criar figura tão divina quanto aquela que alimentava meus olhos todas as manhãs?
Docemente dei-lhe o doce apelido de “A Graça da Rua XIV”.
Seguiam os dois de braços dados, misturando-se nas pessoas que perambulavam pela rua, em frente a sua casa. Logo sumiam num esquina a seguir.
Voltei a mim, aqui nesta confeitaria, da Rua do Porto, onde eu e meus colegas de faculdade saímos para o almoço. Ela estava acompanhada de seu pai, que não tirava os olhos de seu jornal. A filha, a bela filha, estava a beber um chá de canela, numa delicada xícara de porcelana turca, que soltava para cima um vapor, este que sumia no ar, depois de subir-lhe pela maçã do rosto.
Comia o almoço, mas não conseguia retirar o olhar da bela moça, e ali a poucos metros, respirava seu doce perfume, que absorvia pelas minhas narinas.
Meus colegas, já haviam notado minhas intenções com a moça, e como eu sabiam que meu desejo a se realizar, seriam um tanto impossível.
Tinha medo que ela percebesse e comentasse com seu pai ou irmão, e estes ficassem com raiva de mim, por cobiçar a jovem. Deveria ser prometida a algum herdeiro de alguma abastada família da região. Já eu não detinha este status nem posição social que nem os demais rapazes que faziam a corte a ela.
Seu pai, ao notar o garçom da confeitaria estava ali de pé ao seu lado para fazer o pedido, disse que desejava o mesmo de sempre para almoçar e perguntou a sua filha o que ela desejava para comer. Ela chamava-se Luciana, soube seu nome assim que seu progenitor lhe perguntou sobre o almoço. Ela concordou com o pai, em almoçar o de sempre. Assim, de seus carnudos lábios saiu uma doce voz, calma como água de um cristalino lago e mais suave que um Adágio de Mozart ou Albinoni, dedilhados num novíssimo piano de puro marfim.
Logo após o pedido dela, ainda como os olhos presos em sua figura, percebi que ela me olhava. Sim, ela me olhava, discretamente olhava-me no fundo dos meus olhos, como quem procurava desvendar minha alma...
Talvez por medo que seu pai desconfiasse disso e lhe advertisse, baixou os olhos num rápido movimento e pôs seu belo par de olhos azuis na toalha da mesa. Docemente pôs o guardanapo no colo e manteve-se com o olhar baixo na mesa.
Resolvi não lhe olhar demasiadamente, pois fiquei com receio de constrangê-la, e decidi deter meu olhar apenas na minha refeição que já estava findando.
Quando me dei por conta, após terminar meu almoço, a mesa onde seu pai e ele estavam apostos, fazia-se vazia.
Não perguntei a nenhum dos meus colegas sobre onde ela havia ido.
Terminamos o almoço. Todos contavam anedotas, causos que ocorriam fora das vidraças da confeitaria e além dos limites da cidade, assuntos que eram comumente debatidos pelos jovens da capital. Mas a mim se faziam desinteressantes e obsoletos, uma vez que a imagem da senhorita não abandonava minha imaginação. Ah perturbadora visão dos céus! Era como se aqueles poucos minutos em que a olhava e deleitava-me com seu perfume, pudessem-me fazer flutuar, envolto em delicada seda divina!
Resolvi arrancar esta imagem de minha cabeça, pois tinha outros assuntos a tratar referentes a faculdade.
Pois assim fiz, de todas as maneiras me afastei de seu caminho. Nunca mais passei em frente a sua casa, nunca mais almocei naquela confeitaria, e quando sua majestosa imagem me vinha tona em pensamento, tratava de me esbofetear para cair em mim e me ocupar com outros pensamentos.
E consegui.
Sua imagem, aos poucos fora desaparecendo dentro de mim, como alguma forma em uma manhã de cerração, ao passo que vai se afastando, mais difícil de divulgar torna-se.
Ainda hoje, anos depois destes fatos, vez que outra me pergunto: - Por onde andará a bela Luciana, a minha, só minha Graça da Rua XIV?


Nota: Caso você tenha notado, a história acima ficou um tanto sem pé nem cabeça, nem o título se torna convincente, e muito menos o fim. Apenas deixei minha fértil imaginação criar este texto. E.V;