Ao ouvir aquelas palavras, que Acangatú, falava enquanto
recuperava o fôlego, Imembuí, descobriu que um daqueles Morotins que planejavam
atacar as aldeias, era quem viria para lhe amar, assim como ela o amava desde
sempre, mesmo nem lhe conhecendo, mas mesmo assim amando intensamente.
Seu pensamento agora lhe projetava a imagem daquele homem
desconhecido, mas agora misteriosamente projetada em sua mente, fazendo-lhe
assim brotar um sorriso que talvez nunca havia lhe ascendido no rosto.
Seu pensamento nadava longe, nem ela mesmo sabia onde, mas
logo fora puxado para a realidade, por Acangatú que lhe chamou:
“-O que aconteceu com Imembuí, não precisa ficar assustada!
Se todos das duas tribos se juntarem, iremos conseguir vencer os homens brancos
!, dizia ele segurando Imembuí pelos ombros.
“-O que disse? Atacar? Quem?” disse ela meio que
desconcertada pela surpresa que aquelas palavras que seu prometido dizia.
“-É melhor se esconderem, tu, tua mãe e Anitam, para não
correrem perigo quando estes malditos atacarem!” falou ela ao entrar na casa do
cacique da tribo vizinha.
Então ao entrar na casa, Acangatú, vê Yboquitã saindo duma das
peças da residência indígena, e Anitam que se escondia atrás de sua mãe.
Imembuí, meio que fora de si, continuava na porta com os
olhos brilhando. Nem sabia do perigo que corria.
Sem que Yboquitã perguntasse nada, Acangatú foi logo dizendo
sobre o que havia ido fazer ali:
“-Yboquita precisa dizer a Acangatú onde está Apacani, os
morotins pretendem atacar as aldeias e roubar os cavalos e as mulheres!”, disse
ele apontando o indicador á montanha onde os tropeiros estavam.
“-Por Tupã, não digas isso, há anos que esses morotins não
nos atacavam!”, falou Yboquitã, podo suas mãos no rosto, em sinal de
preocupação.
Anitam arregalou seus olhos e se dirigiu em direção á
Imembuí, que antes mesmo dela chegar perto, saiu de dentro de casa, admirando o
Sol, que estava atrás de uma nuvem, num desses mormaços que fica após a chuva
no verão. Não se importava comais nada, nem havia escutado direito o que
Acanagatú havia noticiado, nem se quer se importava com o Sol, nem com nada
mais. Continuava a caminhar dentro da aldeia e logo saiu desta, continuando a
caminhar pela beira do Itaimbé , admirando a paisagem que agora lhe parecia
totalmente diferente, aquela paisagem que sempre conviveu desde criança.
Apacani estava ensinando á alguns jovens da sua aldeia a
domar os cavalos selvagens que tinham na tribo, estes presos em uma espécie de
mangueira rudimentar, no meio de algumas árvores.
Passava seus ensinamentos que recebera de seu pai, quando
menino., e agora repassava aos jovens de
sua aldeia. Tinha que passar seu conhecimento aos filhos de outros habitantes
da aldeia já que não teve nenhum filho homem.
Anitam, logo após oferecer água á Acangatu, levou este, á
pedido de Yboquitã, até onde estava
Apacani. Anitam, mesmo preocupada pelo possível ataque dos morotins, ficava envergonhada
de ficar ao lado de Acangatú, mesmo que por alguns minutos.
Ao mesmo tempo que eles se dirigiam até Apacani, ainda
dentro da aldeia, Imembui seguia sua caminhada pela margem do riacho,
destraída, com o pensamento longe.
Logo alí adiante estavam Rodrigo e seus homens, atrás de um
dos montes, não fazendo muito barulho ou alarde para não darem pistas sobre sua
presença alí.
Rodrigo sabia que atacar aquelas tribos seria cruel e
desumano, mas que podia ele fazer para impedir isto?
A única coisa que lhe confortava era tocar sua viola que
trazia desde São Paulo e dela tirava belas notas em seus momentos de solidão e
tristeza. Aos poucos, lentamente, foi tirando nota por nota daquelas cordas de
sua viola, e estas foram ecoando por dentro daquela mata virgem, onde o raios
do Sol, se misturavam as plantas, formando uma belíssima imagem.
Continuava Imembuí a caminhar até que aquele som nunca antes
escutado, lhe soou aos ouvidos. Que som seria aquele? Que bela melodia era
aquela, que lhe agradava tanto aos ouvidos?
Como se estivesse hipnotizada por esse som, suas pernas
criaram vontade própria e a levaram como
se estas tivessem vontade próprias. Foi indo e indo, não sabia ao certo de que
se tratava, mas aquele som á seduzia e a encantava.
Foi indo, indo, pelo meio da mata, até perceber que ali
havia mais pessoas, certamente homens brancos. Parou ali atrás de um pé de
figueira, e notou que um homem tocava uma coisa que ela não sabia o que era. Ao
ver aquele homem seu coração disparou, como nunca tinha batido, numa velocidade
de um cavalo selvagem que galopa numa campina verdejante numa tarde de
primavera. Seu sorriso havia resplandecido, de uma maneira que nunca ela
imaginou que pudesse ser. Era ele seu grande amor, aquele morotim, mas uma
única duvida lhe pairava a mente: Poderia ser este do bando que pretendia
atacar as aldeias?
Ao pensar nisso, deu-se de conta do perigo que corria, e foi
se afastando dali, antes que um desses homens lhe visse.
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