Seus olhos agora tornavam-se turvos.
Não sabia ao certo o que sentia por aquele homem que mal conhecia e que já se fazia enamorada, mas que agora pouco tempo depois de conhecer já sentia medo. Talvez toda sua inocência havia se acabado naquele momento.
As notas que saiam daquela viola lhe faziam bem aos ouvidos, mesmo que nunca lhe tivessem sido dedilhadas.
Os outros tropeiros que acompanhavam estavam por perto de olhos atentos para que nenhum índio se aproximasse do acampamento, e então Imembuí foi se fastando silenciosamente dali, para que ninguém a visse.
Aos poucos a melodia que Rodrigo fazia de sua viola, ia se calando, ao passo que ela ia se afastando do acampamento ao pé de um dos montes. As frestas do sol reluziam em sua pele morena, que agora em seu rosto trazia o ar da dúvida. Foi caminhando lentamente e pensando em tudo o que havia acontecido ultimamente em sua vida: sua união a Acangatú, esta paixão por um homem que nunca havia visto e esta ameaça de invasão. Seus pensamento agora se tornavam confusos.
Foi caminhado mais um pouco até uma clareira perto de um córrego que desaguava no Itaimbé, onde muitos pássaros cantavam em cima de enormes árvores. Chegou no meio dessa clareira, olhou para o céu, onde o sol ia se escondendo atrás de uma nuvem, e logo se despontou detrás dessa nuvem. Ainda sim era possível ouvir, mesmo que muito fraco o som da viola do Morotin. Uma vertigem tomou conta da jovem índia e seus joelhos vergaram-se, pondo-a de joelhos na grama ainda úmida pela chuva. Olhou novamente par o céu e disse:
-Ó Tupã! Pai dos céus e da terra! Afasta esses homens maus de perto de meu povo!
Uma lágrima desceu de seus olhos, molhado seu doce rosto.
Sentia que era seus dever odiar aqueles homens brancos que queriam o mau de seu povo.
Levanto-se dali e saiu correndo em direção da aldeia.
Em uma mangueira feita no meio de algumas árvores e pedras, onde se prendiam os cavalos, Apacaní, ensinava os pequenos indiozinhos de sua aldeia os primeiros manejos com os animais, que durante suas vidas lhes seriam muito úteis.
-Ali está Apacaní, Acangatú; disse Anitam apontando em direção da mangueira onde ele se localizava Apacani.
Acangatú chegou na beira desta mangueira e chamou Apacaní.
Lhe dera a notícia de que seriam atacados por homens brancos, e lhe contou tudo que havia descoberto.
-É hora de unirmos nossas tribos e nos preparar para o ataque deste morotins. Avisa o chefe da tua tribo para preparar os guerreiros e venham para cá!; ordenou Apacaní.
"As palavras são como os patifes desde o momento em que as promessas os desonraram. Elas tornaram-se de tal maneira impostoras que me repugna servir-me delas para provar que tenho razão" -William Shakespeare
quarta-feira, 24 de abril de 2013
segunda-feira, 4 de março de 2013
Segunda, 4 de março ...
OI! Se você está lendo isso provavelmente você me conhece ou
já deu uma olhadinha no meu face ou aqui mesmo no De Tudo Um Pouco. Pois bem,
vou contar-lhes sobre meu dia. Você deve estar se perguntando: O que de bom
pode ter o dia dessa criatura que vai me interessar? Talvez nada. Se quiser prosseguir
lendo, o problema é seu!
Nunca fiz um post meu falando sobre min ou sobre coisas que
eu gosto, sempre tentei fazer sobre assuntos relacionados á história, ou sobre
as minhas próprias histórias que por ai eu invento. Tem, é claro aqueles que
gostam, e eu fico feliz por isso. Mas nunca vou chegar aos pés de grandes
escritores, é óbvio. Cada um com seus talentos e etc.
Mas não era bem isso que ia falar. Você certamente já deve
estar achando um tédio ler isso. Problema seu. Mas mesmo assim vou continuar
escrevendo sobre meu dia.
Hoje é uma segunda, aquele dia que todo mundo, inclusive eu
detesta, mas é para min sempre um dia diferente dos outros, não sei bem o porquê,
mas é.
Agora eu estou aqui digitando isso, com meu facebook aberto,
ali noutra janela e esperando que alguém me chame para conversar, coisa rara de
acontecer.
Escrevo isso como um diário, só que mais modernos, digamos
assim. Seria bem legal, eu penso se vivesse eu numa outra época, uns cem anos
atrás, onde o isolamento dominava a vida das pessoas. Pessoas normais não gostam
de isolamento, eu gosto. Não pode ser normal, mas gosto. Fazer o que.
Ontem á noite, por insistência da vó, fui me deitar mais
cedo, umas nove horas, e sem sono, fiquei pensando em escrever isso aqui. Sei
lá de onde surgiu essa ideia sem sentido.
Como não tenho muitas pessoas para conversar, resolvi escrever
aqui. Eu acho que devemos fazer aquilo que gostamos independente da opinião dos
outros, devemos fazer aquilo que nos faz bem, que nos põe um sorriso no rosto. É
assim que deve ser.
Pois é, ás vezes eu fico radiante de feliz, tem dias que nem
tanto, tem outros que se quer sorrio, é assim minha personalidade. Quem me
conhece sabe.
Portanto não tente me impor regras rígidas, isso me sufoca,
sejas simpático comigo que serei com você!
Isso é uma breve descrição sobre min...
Bom, por hoje é isso, se você entendeu algo que escrevi ótimo,
se não, leia mais amanhã, ou outro dia que eu escrever mais, e como se diz, seja
meu confidente.
Ótima noite e um singelo abraço!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Quando Sopra o Minuano-Minuano-A Imembuí (parte IV)
Ao ouvir aquelas palavras, que Acangatú, falava enquanto
recuperava o fôlego, Imembuí, descobriu que um daqueles Morotins que planejavam
atacar as aldeias, era quem viria para lhe amar, assim como ela o amava desde
sempre, mesmo nem lhe conhecendo, mas mesmo assim amando intensamente.
Seu pensamento agora lhe projetava a imagem daquele homem
desconhecido, mas agora misteriosamente projetada em sua mente, fazendo-lhe
assim brotar um sorriso que talvez nunca havia lhe ascendido no rosto.
Seu pensamento nadava longe, nem ela mesmo sabia onde, mas
logo fora puxado para a realidade, por Acangatú que lhe chamou:
“-O que aconteceu com Imembuí, não precisa ficar assustada!
Se todos das duas tribos se juntarem, iremos conseguir vencer os homens brancos
!, dizia ele segurando Imembuí pelos ombros.
“-O que disse? Atacar? Quem?” disse ela meio que
desconcertada pela surpresa que aquelas palavras que seu prometido dizia.
“-É melhor se esconderem, tu, tua mãe e Anitam, para não
correrem perigo quando estes malditos atacarem!” falou ela ao entrar na casa do
cacique da tribo vizinha.
Então ao entrar na casa, Acangatú, vê Yboquitã saindo duma das
peças da residência indígena, e Anitam que se escondia atrás de sua mãe.
Imembuí, meio que fora de si, continuava na porta com os
olhos brilhando. Nem sabia do perigo que corria.
Sem que Yboquitã perguntasse nada, Acangatú foi logo dizendo
sobre o que havia ido fazer ali:
“-Yboquita precisa dizer a Acangatú onde está Apacani, os
morotins pretendem atacar as aldeias e roubar os cavalos e as mulheres!”, disse
ele apontando o indicador á montanha onde os tropeiros estavam.
“-Por Tupã, não digas isso, há anos que esses morotins não
nos atacavam!”, falou Yboquitã, podo suas mãos no rosto, em sinal de
preocupação.
Anitam arregalou seus olhos e se dirigiu em direção á
Imembuí, que antes mesmo dela chegar perto, saiu de dentro de casa, admirando o
Sol, que estava atrás de uma nuvem, num desses mormaços que fica após a chuva
no verão. Não se importava comais nada, nem havia escutado direito o que
Acanagatú havia noticiado, nem se quer se importava com o Sol, nem com nada
mais. Continuava a caminhar dentro da aldeia e logo saiu desta, continuando a
caminhar pela beira do Itaimbé , admirando a paisagem que agora lhe parecia
totalmente diferente, aquela paisagem que sempre conviveu desde criança.
Apacani estava ensinando á alguns jovens da sua aldeia a
domar os cavalos selvagens que tinham na tribo, estes presos em uma espécie de
mangueira rudimentar, no meio de algumas árvores.
Passava seus ensinamentos que recebera de seu pai, quando
menino., e agora repassava aos jovens de
sua aldeia. Tinha que passar seu conhecimento aos filhos de outros habitantes
da aldeia já que não teve nenhum filho homem.
Anitam, logo após oferecer água á Acangatu, levou este, á
pedido de Yboquitã, até onde estava
Apacani. Anitam, mesmo preocupada pelo possível ataque dos morotins, ficava envergonhada
de ficar ao lado de Acangatú, mesmo que por alguns minutos.
Ao mesmo tempo que eles se dirigiam até Apacani, ainda
dentro da aldeia, Imembui seguia sua caminhada pela margem do riacho,
destraída, com o pensamento longe.
Logo alí adiante estavam Rodrigo e seus homens, atrás de um
dos montes, não fazendo muito barulho ou alarde para não darem pistas sobre sua
presença alí.
Rodrigo sabia que atacar aquelas tribos seria cruel e
desumano, mas que podia ele fazer para impedir isto?
A única coisa que lhe confortava era tocar sua viola que
trazia desde São Paulo e dela tirava belas notas em seus momentos de solidão e
tristeza. Aos poucos, lentamente, foi tirando nota por nota daquelas cordas de
sua viola, e estas foram ecoando por dentro daquela mata virgem, onde o raios
do Sol, se misturavam as plantas, formando uma belíssima imagem.
Continuava Imembuí a caminhar até que aquele som nunca antes
escutado, lhe soou aos ouvidos. Que som seria aquele? Que bela melodia era
aquela, que lhe agradava tanto aos ouvidos?
Como se estivesse hipnotizada por esse som, suas pernas
criaram vontade própria e a levaram como
se estas tivessem vontade próprias. Foi indo e indo, não sabia ao certo de que
se tratava, mas aquele som á seduzia e a encantava.
Foi indo, indo, pelo meio da mata, até perceber que ali
havia mais pessoas, certamente homens brancos. Parou ali atrás de um pé de
figueira, e notou que um homem tocava uma coisa que ela não sabia o que era. Ao
ver aquele homem seu coração disparou, como nunca tinha batido, numa velocidade
de um cavalo selvagem que galopa numa campina verdejante numa tarde de
primavera. Seu sorriso havia resplandecido, de uma maneira que nunca ela
imaginou que pudesse ser. Era ele seu grande amor, aquele morotim, mas uma
única duvida lhe pairava a mente: Poderia ser este do bando que pretendia
atacar as aldeias?
Ao pensar nisso, deu-se de conta do perigo que corria, e foi
se afastando dali, antes que um desses homens lhe visse.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
A noiva de Garibaldi, parte 1
![]() |
| Manuela Amália Ferreira, fotografia do século XIX. |
“E
coube somente a min, contar essa história pontuada de heróis, da qual eu vivi
desde início e soube esperar até o fim, aquecida por minha grande paixão por
Garibaldi”
-Manuela
Amália Ferreira
Nascida em Pelotas em 08 de julho de 1820, Manuela
Amália Ferreira, passou a história conhecida como a “Noiva de Garibaldi”.
Filha de Francisco de Paula Ferreira e de Dona Maria
Manuela de Meireles, sendo esta sobrinha de Perpétua da Costa Meireles, mãe do
General Bento Gonçalves da Silva, futuro presidente da República Rio-Grandense.
Seu registro de batismo data de 20 de agosto de
1820, no Bispado de Pelotas.
Manuela viveu na companhia de seus pais e seus três
irmãos em Pelotas até meados de 1835, quando sua família se envolveu num dos
fatos históricos mais convulsivos desta terra: A Revolução Farroupilha.
Seus pais assim como a maioria da população da época
acabaram ficando do lado dos Farroupilhas.
Partiram para tomar Porto Alegre, então capital da
Província, que estava descontente com a situação econômica que se encontrava. O
preço do charque produzido nas charqueadas era bem menor que o charque
produzido no Uruguai e outros países, onde ao entrar no Brasil, pagava
baixíssimos impostos, bem mais baixos que os que os do Rio Grande do Sul pagavam.
Em 20 de Setembro de 1835, liderados por Bento
Gonçalves e Onofre Pires, os revoltosos invadiram Porto Alegre e depuseram o
Presidente da Província, Antônio Rodrigues Braga, que foi obrigado a deixar o
poder e fugir de barco até Rio Grande, no sul da Província.
Manuela, suas irmãs, sua mãe, Dona Cayetanna, e seus
filhos estavam morando juntas em Pelotas, e ao saberem do início da Revolução,
decidiram fugir de Pelotas, uma vez que a cidade se manteve fiel ao Império
durante toda Revolução.
O lugar escolhido para refugiarem-se foi a Estância
da Barra, de propriedade de Dona Anna Joaquina Gonçalves da Silva, irmã do
General, ás margens do Rio Camaquã, sendo um local de difícil acesso.
Viveram todas em total isolamento durante a
Revolução, sabendo do que se passava somente por meio de cartas, mascates que
pernoitava na Estância, ou quando seus parentes vinham até a propriedade.
Em 11 de setembro de 1836, é proclamada a “República
Rio-Grandense”, sendo sua primeira capital a cidade de Piratini.
Na noite de 3 de outubro de 1836, os Farroupilhas
decidiram voltar até o sul, mas graças a traição de Bento Manuel Ribeiro, foram
surpreendidos da Ilha da Fanfa, provocando a prisão de muitos dos líderes da
Revolução tais como Bento Gonçalves, Onofre Pires, Tito Lívio Zambeccari, Pedro
Boticário, José de Almeida Corte Real, e José Calvet. Mais de 100 mortos nessa
Batalha, sendo que maioria era Farroupilha. O pai de Manuela conseguiu se
salvar e com os demais voltaram até Camaquã.
Bento Gonçalves foi mandado até a Prisão de Santa
Cruz, no Rio de Janeiro, onde foi visitado por sues três filhos, Bentinho,
Caetano e Joaquim, o prometido á Manuela.
Em sua cela, no Rio de Janeiro, Bento Gonçalves
conhece um corsário italiano:
Giuseppe Garibaldi, o qual havia sido exilado na
Marselha, na França, após ter se envolvido com a “Carbonária”, a qual era a
favor da Unificação Italiana.
Bento concedeu á Garibaldi uma carta de Corso, a
qual dava á ele o direito de atacar e prender as embarcações imperiais em águas
da República.
Juntamente com seu companheiro, Luiggi Rossetti,
vieram para o sul, onde foram encarregados de construir barcos, os quais seriam
usados para constituir uma frota para os Farroupilhas.
Antes de chegarem, atacaram um navio austríaco, o
“Mazzini”, o qual foi rebatizado de “Farroupilha”.
Garibaldi foi preso em águas uruguaias, sendo
transferido preso para a Argentina, e algum tempo depois foi solto.
Manuela sabia que ele estava por vir até seu
encontro, segundo ela mesmo escreveu em seus diários.
A partir de abril de 1839, Garibaldi e marinheiros
vindos de Montevidéu, estavam dedicados á construção de barcos num estaleiro
pouco distante da sede da Estância da Barra, onde os revoltosos foram atacados
por Francisco Pedro de Abreu, o “Moringue”, sendo a vitória dos Farroupilhas.
Já no fim da vida, Garibaldi ditou á Alexandre Dumas
suas memórias onde cita em uma pequena nota íntima: “Nós celebrávamos a vitória, gozando do fato de termos sido salvos da
tempestade. Na sede da estância, á 12 milhas dali, uma virgem empalidecia e
rezava pela minha vida; mais doce que a vitória, me surpreendia à notícia. Sim.
Belíssima filha do Continente, e eu era orgulhoso e feliz de te pertencer,
fosse como fosse. Tu destinada a ser mulher doutro! A min a sorte reservava
outra brasileira!”.
A virgem era Manuela...
Ao conhecer Garibaldi, a jovem de 20 anos se apaixonou,
sendo só seu, dele e de seus diários o conhecimento desse amor. Esse encontro
se deu num baile oferecido por Dona Anna para comemorar as sucessivas vitórias
da Frota de Garibaldi, contra a Frota Imperial.
Neste meio tempo, o pai de Manuela morre num
confronto com os imperiais, ou os “Caramurus”
como eram conhecidos por a população da Província.
O luto se abateu sobre a família de Manuela, e ela
sofria em silêncio a dor de não ter o seu amado ao seu lado neste momento.
Os encontros tinham de ser ás escondidas, uma vez
que sua mãe era rigorosa na educação das três filhas, além do fato de Manuela
estar prometida á Joaquim, o qual ela nutria um amor de irmão.
Além do fato de Manuela estar apaixonada por um
homem “Sem eira nem beira”, Rosário, a irmã mais nova de Manuela, estava
apaixonada por um fantasma de um soldado uruguaio, que lutava ao lado dos
Imperiais.
Ao descobrir de paixão de Manuela por Garibaldi, sua
mãe preferiu trancar a filha no quarto para evitar que ela se encontrasse com
ele.
Sua mãe estava em dúvidas, pois não queria a filha
casada com um aventureiro estrangeiro, e então decidiu deixar a decisão á Bento
Gonçalves.
Garibaldi e Manuela continuaram a se mandar poemas e
bilhetes por meio de peões da Estância.
Quando Bento voltou á Estância da Barra para rever
sua família e ver os barcos que Garibaldi e seus homens haviam construído,
Garibaldi se encheu de coragem e decidiu pedir a mão de Manuela ao Presidente.
Seriam dois barcos, o Farroupilha e o Seival, usados
para atacar a cidade de Laguna, ne Província de Santa Catarina, onde seria
feito um porto marítimo para a República.
Ao saber das intensões do Corsário com a moça, Bento
pensou, pensou, mas a negativa veio como algo já esperado pelo italiano. Como
uma moça criada para ser mãe, uma moça criada com toda educação, bons costumes,
e que mal sabia pegar numa arma poderia acompanhar um guerreiro como Garibaldi
numa Batalha?
Mas o amor que ele sentia por ela fez com que ele
não contasse sobre o não do Presidente ao seu pedido.
Alguns dias após o ocorrido, Garibaldi mais uma vez
tentou o sim do Presidente. Mais uma vez a resposta foi não.
Ao entender os motivos de Bento, Garibaldi teve de
se conformar. A única coisa que pediu foi um papel e uma caneta para escrever
uma carta para sua amada.
Era a hora de partir. Garibaldi despediu-se de Dona
Antônia, a confidente do casal, e de todos as outras senhoras que tão bem lhe
acolheram em suas residências.
A última pessoa quem Garibaldi se despediu foi de
Manuela. Ela ainda tinham esperanças de que Bento havia aprovado seu namoro com
o italiano.
Triste por ter que deixar sua amada para sempre,
Garibaldi se despediu de Manuela em frente á estância e apenas deixou uma carta
que ele pediu que ela abrisse quando já estivesse longe dali.
Ao ler o que ele havia escrito, seus belíssimos
olhos azuis se encheram de lágrimas, mas ela não havia perdido as esperanças de
que ele voltaria depois que tomasse Laguna para buscá-la.
Seguiam-se dias e dias de espera, a guerra ia de mau
á pior para os Farrapos, e a mãe de Manuela agora achava que suas duas filhas
haviam enlouquecido.
Rosário, completamente desequilibrada mata Regente,
o cachorro de Manuela com um punhal. Vendo que sua filha oferecia perigo ás
demais pessoas da família, trancou sua filha em um convento.
Ao contrário de Rosário, Manuela, vivia o dia
trancada em seu quarto, escrevendo ou na beira da janela, esperando seu amado
voltar e lhe buscar.
Garibaldi, General Davi Canabarro, John Griggs,
Luiggi Rossetti, e alguns peões das estâncias da família Gonçalves da Silva,
partiram em meados de junho de 1839, por água onde foram atacados pela de John
Grenffel, a serviço do Império, a qual foi
vencida pelos homens de Garibaldi.
Foram navegando pela Laguna dos Patos, até o Rio
Capivarí, onde depois, os navios foram levados em cima de lanchões, puxados por
cerca de cem juntas de bois, durante cerca de 90 km até chegarem á Lagoa Tomás
José, no dia 11 de julho de 1839. No dia 13 de julho de 1839, lançaram-se ao
mar, rumo á Laguna.
Na costa de Santa Catarina, na foz do Rio Araranguá,
uma tempestade afundou o Farroupilha, no qual estava Garibaldi, que
milagrosamente se salvou.
Paralelamente á isso, Joaquim decidi conversar com
Manuela e lhe pede sua mão em casamento. Manuela nega-se á casar-se com o primo
e diz que irá esperar por Garibaldi para sempre. O primo entristecido e louco
de amores pela bela moça, decidi voltar Guerra junto de seu pai.
Ao chegarem a Santa Catarina, os homens que
conseguiram sobreviver ao naufrágio do Farroupilha, juntos aos tripulantes do
Seival, uniram-se ás tropas do General Davi Canabarro, invadido a cidade pela
Lagoa de Garopaba Sul, onde surpreenderam uma brigue-escuna imperial, a
“Cometa”, que conseguiu fugir pelo mar.
Garibaldi contava com 32 anos na época da tomada de
Laguna. Chegando lá em meados de julho de 1839, a bordo da “Itaparica”
Garibaldi observava da longe, com uma luneta as casas em Laguna, quando
percebeu um grupo de moças que passeava, mas uma em especial lhe chamou a
atenção. Ao chegar em terra firme a procurou, mas não á encontrou.
Tinha perdido a esperança de encontrá-la, quando um
habitante local o convidou a ir a sua casa para um café. Garibaldi aceitou e na
casa encontrou a jovem que procurava. Assim Garibaldi relata o encontro em suas
memórias: "Entramos, e a primeira
pessoa que se aproximou era aquela cujo aspecto me tinha feito desembarcar. Era
Anita! A mãe de meus filhos! A companhia de minha vida, na boa e na má fortuna.
A mulher cuja coragem desejei tantas vezes. Ficamos ambos estáticos e
silenciosos, olhando-se reciprocamente, como duas pessoas que não se vissem
pela primeira vez e que buscam na aproximação alguma coisa como uma
reminiscência. A saudei finalmente e lhe disse: 'Tu deves ser minha!'. Eu
falava pouco o português, e articulei as provocantes palavras em italiano.
Contudo fui magnético na minha insolência. Havia atado um nó, decretado uma
sentença que somente a morte poderia desfazer. Eu tinha encontrado um tesouro
proibido, mas um tesouro de grande valor”
Em 20 de outubro de 1839, Anita decide seguir
Garibaldi, deixando para trás seu marido bêbado, que a batia com frequência,
subindo a bordo de seu navio para uma expedição militar.
Em Imbituba recebeu o batismo de fogo, quando a
expedição corsária foi atacada pela marinha imperial do Brasil. Dias depois, em
15 de novembro, Anita confirma sua coragem sem fim e seu amor heroico a
Garibaldi na famosa batalha naval de Laguna, contra Frederico Mariath, na qual
se expõe a um grande risco de morte, atravessando uma dúzia de vezes a bordo da
pequena lancha de combate para trazer munições em meio a uma verdadeira
carnificina. Anita também combateu ao lado de Garibaldi em Santa Vitória.
Depois passou o Natal de 1839 em Lages.
Era definitivamente o fim do romance de Garibaldi e
Manuela.
Lembrava-se de Manuela sim, mas como uma bela
recordação, algo intocável em sua memória. Agora tinha ao seu lado Anita, a
brava mulher que lhe acompanhava nas batalhas.
Anita
morena, da pele macia, amante de noite, soldado de dia, um filho num braço, no
outro um fuzil ( trecho da música de Marlene Pastro,
Anita Morena)
Ao chegarem a Santa Catarina, os homens que
conseguiram sobreviver ao naufrágio do Farroupilha, juntos aos tripulantes do
Seival, uniram-se ás tropas do General Davi Canabarro, invadido a cidade pela
Lagoa de Garopaba Sul, onde surpreenderam uma brigue-escuna imperial, a
“Cometa”, que conseguiu fugir pelo mar.
Vários foram os combates por terra e por mar, até
novembro de 1839.
O governo imperial mandara cerca de treze navios,
sob o comando do General Andreah e do Almirante Frederico Mariath, mas os
homens de Garibaldi, contando apenas com cinco navios, menos equipados,
conseguiram furar o bloqueio imperial. Depois de horas de batalha, a
superioridade bélica da marinha imperial, se impôs sobre a pequena marinha
farroupilha. Era o fim do sonho de um porto marítimo para os Farrapos.
Uma das últimas batalhas em solo catarinense foi a
Batalha de Curitibanos, nas qual a cavalaria Farroupilha foi praticamente
dizimada, e onde Anita, já ciente de sua gravidez, foi feita prisioneira dos
imperiais, e Garibaldi ferido, sendo levado para a cidade de Vacaria, já no Rio
Grande do Sul.
Da vida de Manuela se sabe pouco nesse período de
1839-1841, certamente vivia na estância, junto de suas familiares, junto de
seus diários, contando sobre a Revolução, e seu desgosto de saber que seu amado
havia se unido á Anita, não por casamento, mas pelo amor.
Rosário havia enlouquecido de amores por um oficial
caramuru, que havia conhecido em Pelotas, e que havia morrido. Sua mãe a queria
confinar em um convento, mas antes que sua mãe pudesse fazer isso, a jovem moça tirou sua própria vida com um punhal, nos fundos da charqueada da estância.
O luto novamente se abateu sobre a família.
Mariana a outra irmã de Manuela, também causava
preocupação em Dona Maria Manuela: havia se apaixonado por um índio que era
peão na estância. Meses depois veio a notícia de que Mariana estava grávida de
João Gutierrez.
Sua mãe então lhe trancou no quarto e planejava lhe
dar um chá abortivo, mas uma das criadas da estância percebeu, e avisou Dona
Cayetanna, que conseguiu impedir que ela bebesse o chá ....
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Fotos de família 4 ...
| Edelvira Gonçalves da Conceição. |
| Maria Vitória de Castro Ferreira, Santana do Livramento. |
| Maria da Conceição de Oliveira Farias, 3º distrito de Piratini. |
| Edith de Oliveira Farias, aos 12 anos, 3º distrito de Piratini. |
| Manoel Ignácio Pinheiro, João Francisco da Conceição e soldados. |
| Ignez de Castro Ferreira da Conceição e Manoel José da Conceição, Piratini, 1879. |
| João Ignácio Pinheiro e seus médicos. |
| Família de Manoel José da Conceição e Ignez de Castro Ferreira da Conceição, década de 1880. |
Assinar:
Postagens (Atom)
