sábado, 29 de junho de 2013

Tu

Tão doce, tão amargo.
Tão longe, tão perto.
Tão quente, tão frio.
Tão certo, quanto incerto.

Primeiro dia de Sol,
Foi-se a chuva fria.
Nada mudou tudo normal,
Você não me sentia.

Só poderia gritar com o olhar,
Talvez tu não entendas.
Nem minhas palavras,
A ti meu amor, podia pronunciar.

Isso vai me corroendo por dentro,
Mas também vai me aviventando.
És de meu universo o centro,
Mas nem sabes,
Nem saberás...

domingo, 23 de junho de 2013

Três casas, três histórias.

"Tapera dos Duarte"
Sua data de construção é incerta, porém os antigos donos acreditam que sua  construção foi antes da Revolução Farroupilha (1835-1845), sendo de propriedade inicial de Leonardo Vaz, este, anos depois, já em sua velhice resolveu mudar-se para o Uruguai, indo, juntamente com esta casa, os campos dele á leilão. Simeão Estelita Duarte, morador da Villa de Piratini, adquiriu a casa e os campos de Leonardo Vaz. Este residia na sede da então Villa, juntamente com sua esposa dona Ignácia Vergilina e seus 4 filhos, e pelo falecimento de outras duas filhas do casal, resolveram  mudar-se para o campo e tornarem-se pecuaristas. Ali o casal viveu pelo resto da vida, quando em 1918 Simeão veio a falecer e dona Ignácia viveu com os filhos, noras e netos, até sua morte em 1924. Também foi usada como trincheira durante a Revolução Federalista, por pessoas envolvidas nesta. Após o falecimento de Ignácia, a casa passou a ser de seu filho, José Francisco Duarte, o Chiquinho que morou durante toda sua vida juntamente de sua esposa Maria Francisca, a Cotinha, filha do Tenente-Coronel João Ignácio Pinheiro, e de seus 13 filhos. Após a morte destes, na década de 1950, a casa passou a pertencer a sua filha, Noêmia Pinheiro Duarte, que solteira, viveu ali, juntamente de seus irmãos, na maioria solteiros, por cerca de 82 anos, até pouco perto de sua morte.
Localiza-se no 1º distrito de Piratini, no lugar denominado Passo do Alfaiate. É praticamente construída de pedras,  e sofreu reformas ao longo do século XX.

"Chácara dos Vimes", "Tapera dos Pinheiro" ou ainda "Tapera do Conceição".
Sua data de construção é incerta, porém segundo os seus antigos donos, foi construída  durante a Guerra do Paraguai (1864-1870). Construída a mando de Manoel José da Conceição, o Maneco Conceição, um dos homens mais ricos da época da Villa de Piratini. É construída em boa parte de sua estrutura em pedra. Em uma de suas paredes laterais, tem no alicerce uma pedra, na qual acredita-se que seja assombrada.
Serviu de residência a Manoel José e sua esposa dona Ignez de Castro Ferreira da Conceição e seu filho João Francisco da Conceição. Manoel era agricultor, e por motivo de estarem em meio á uma Guerra, este juntou seu dinheiro dentro de uma bruaca, e foi para o campo com um escravo. Chegando num determinado ponto, mandou o escravo cavar e enterrar o dinheiro. Feito isso, deu um tiro no escravo e o enterrou junto ao dinheiro, com a desculpa que seria para que o escravo cuidasse seu dinheiro. Assim este foi enlouquecendo. Um outro dia, foi vistar sua plantação de trigo, que tinha nos fundos da sua residência, e chegando lá resolveu colocar fogo na resteva do trigo, e assim fez. Mas o fogo se alastrou e acabou incendiando todo o trigo que secava ali perto. Não demorou muito tempo para que este adoecesse e acabasse morrendo na década de 1880. Assim Ignez jovem, viúva ficou com seu filho para criar e a propriedade para tocar em frente. Logo fatos no pais aconteciam, tais como a abolição da escravatura e a chegada da República.
Então no ano de 1889, Ignez aos 28 anos se casa pela segunda vez, desta com o Tenente-Coronel João Ignácio Pinheiro, também viúvo e com uma filha, já adulta e casada.
Ambos se casam e vem a residir na Chácara dos Vimes, onde, juntos tem 7 filhos.
Após a morte do casal, na década de 1910, a residência passa a ser de seu genro, José Francisco Duarte, casado com Maria Francisca Pinheiro, a Cotinha, filha destes. Após algum tempo, o casal vai residir na propriedade dos pais de José, e a residência passa a pertencer ao filho mais moço, Manoel Ignácio, este que alguns anos depois casa-se com dona Edith de Oliveira Faria, e tem 11 filhos desta união, todos nascidos na Chácara. Durante a Revolução de 1923, Manoel sendo de um dos lados envolvidos, entrincheira-sem, junto de sua esposa e filhos, na Chácara. Muitas outros fatos foram ali acontecidos. Mas muitos não se sabe ao certo.
Hoje em dia pertence á uma neta de Ignez e filha de Manoel Ignácio.
Localiza-se no Passo do Conceição, no 1° distrito de Piratini.

"Tapera dos Crespo"
Construída antes do inicio do século XX, por André Lucianno Crespo, uruguaio, morador na então Villa de Piratini. Vindo do Uruguai na primeira metade do século XIX, casou-se com Francisca da Conceição, filha de um dono de terras na localidade do Cerro da Conceição. Pouco se sabe sobre a vida deste casal após o casamento que se realizou nesta cidade em 1840, durante a Revolução Farroupilha. Durante o período que pertenceu ao seu filho, Affonso Cassiano, era utilizada durante as atividades pastoris da família como lugar de guardar arreamento e outros objetos ligados a esta atividade. Durante algum tempo serviu de residência para uma das irmãs de Affonso Cassiano, que era solteira. Conta-se que esta possuía uma certa quantia de moedas de ouro, as ditas "onças", e que sempre as enterrava em tempo de guerras, ao lado de uma pedra próxima a casa. Porém quando estava na velhice ocorreu uma revolução, certamente a Revolução de 1923, na qual ela novamente enterrou suas moedas, mas após o termino desta, nunca mais achou onde estavam. Porém, anos mais tardes foram descobertas e roubadas.
Também foi sitiada pelas forças dos "Chimangos", durante a Revolução Federalista (1893), e estes atacaram o rebanho de cabras que a família possuía na propriedade, com violência, dizimando o rebanho, que foi destinado a alimentar os soldados.
Foi sempre habitada por os descendentes de André , no século XX e XXI.
Também é considerada um local assombrados, pelos relatos contados pelos seus antigos donos.
Sofreu reformas em toda sua estrutura, inclusive no formato original de seu telhado, que era em formato "cupair", passando a ser em formato de "oitão". Também foi renovado seu reboco original, mas mantendo as portas, portais e janelas originais de cedro.
Localiza-se na localidade do Passo do Fio, no 1º distrito de Piratini.



quinta-feira, 20 de junho de 2013

O beijo que eu nunca lhe dei.

O beijo que eu nunca lhe dei...
Que em meus lábios o prendi,
Desde a primeira vez que eu lhe vi.
Beijo, que vou guardar,
E somente vou dar a ti.

Queria ter a coragem de te dizer,
Que me faço por ti apaixonado.
Só tu completas meu ser,
E me dá coragem de cada dia
Viver...

O beijo que eu nunca lhe dei...
Secou minha alma,
Tirou-me o sono,
Mas ainda arde como uma chama,
Um fogo,
Em que cada vez mais me queimei.

Tu, bela cigana,
Nunca me deu esperança,
Por isso não me enganas.
Nossa amizade faz-se como uma aliança,
Mas por minha vontade seria bem mais...

O beijo que nunca lhe dei...
Nunca morreu dentro de mim,
E quase se liberta,
A cada vez que sinto este teu doce cheiro de alecrim.
E tua boca doce e suave,
Para o meu sofrer,
Seria como uma chave,
Para o fim do meu desmerecer.

Este beijo, só em minha imaginação se faz real,
Já que a ti não posso dar.
Mas quem sabe no final,
Eu não consiga o libertar...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Namoro ao luar.

As estrelas cantam e dançam
Pelo majestoso salão celeste.
Formosas, nunca se cansam,
De bailar, do Norte ao Sul,
Do Oeste ao Leste.

Cintilantes, pequeninas
Bailam todas juntas,
Belas moças e meninas,
No sarau da Lua.
Esta mãe de todas,
Ilumina cada filha sua.

Magnífica Sonata,
Que o amar na Terra desata.
O meu por ti,
E o teu por mim.
Teus olhos brilham incessantemente
A cada vez que me vê
Deixando-me tão contente.

Ao bailar, a Lua é nossa confidente,
De nosso namoro escondido,
Que tanto faz bem há este adolescente,
Por ti apaixonadamente perdido!

Por vezes acho que a Lua é minha paixão
Aquela que faz um sorriso em meu rosto brotar,
E no peito palpitar este meu coração
Quando a mim este festejo iluminar.

Mas ainda sim ela não tem tua doçura e beleza,
Pode dançar e iluminar,
Ela só transmite-me frieza,
E tu só queres me amar.

Por fim,
Este namoro ao luar,
Faz-me assim,
Cada vez mais te amar!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Se um dia eu sumir...

Se um dia eu sumir...
Nunca mais vais me ver
Minha figura
O meu ser.

Pegarei a estrada sem volta
Sumiria no horizonte.
Dissiparia como fumaça,
Depois do Sol poente.

Se um dia eu sumir...
Não sei se ficarás triste ou contente;
Preocupada, ou despreocupada
Depois que eu me fizer ausente.

Mas um dia vai acontecer,
Queiramos ou não.
Faz parte do nosso viver.
Viver depois a solidão.

Se um dia eu sumir...
A saudade de mim bater,
E não me tiver por perto
Mas mesmo assim eu não aparecer
Ainda assim, eu te amarei por certo...

Entre idas e vindas,
Quem sabe numa dessas esquinas
Possa te encontrar,
Vestida nas vestes mais lindas.

Não sei se ainda vai estar solteira,
Ou casada quem sabe,
Mas ainda te amarei da mesma maneira.

Se um dia eu sumir...
Talvez eu volte ou não,
Mas se por ventura sim
Para quem sabe assim
Conquistar teu coração!