sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Prédios Históricos de Piratini, 02

 Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída a partir de 1854, substituindo a antiga capela. Sofreu um incêndio em 1921, avarias em umas das torres, após um temporal. Sua primeira forma foi de apenas uma torre.
 Palácio da Prefeitura Municipal de Piratini, construída na década de 1850, e remodelada na década de 1930, por Miguel Carrossiello.
 Palácio onde funcionou a sede do governo republicano,quando Piratini foi capital da República Rio-Grandense, sendo uma construção do ano de 1826, sendo erguido para moradia particular. Hoje funciona a sede do Museu Municipal Barbosa Lessa.
 Antiga Casa Comercial dos Fabião, prédio em estilo eclético, construído no ano de 1903.
 Museu Histórico Farroupílha, construção do ano de 1818, pelo Capitão Manuel Gonçalves de Meireles, sendo residência particular por muitos anos, sendo mesmo uma Escola no século XX.
Sobrado dos Azulejos, a qual pertenceu á Vicente Lucas de Oliveira, ferrenho Farrapo. Todo ornamentado com azulejos portugueses em sua fachada. Hoje em dia serve de residência particular.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Foi Assim ...

Piratini, vista aérea 
Rio Grande de São Pedro, continente
Cobiçada pela Espanha, faz Portugal
Tratar de povoá-lo com boa gente, 
Garantindo sua posse-afinal.
E, para não mais sofrer desenganos, 
Manda os fiéis casais açorianos,
Raça forte, bom caráter e lutadora, 
Para povoarem a terra promissora

Coxilha de Santo Antônio, estrada
Caminho natural, das águas divisor, 
Roteiro secular, do peão, da tropeada,
Das marchas de guerra, do fervor,
Nascentes dos riachos,que dali, 
Correndo sul, formam o Piratini,
Rumando norte, vão fluindo,
Para o Camaquã, contribuindo.

Piratini, rio do peixe barulhento,
Em meio ás serras, correm suas águas,
Ora mais rápido, ás vezes mais lento,
Banhando o índio, lavando ás mágoas, 
Demarcou divisas com a Espanha,
Refletindo as lutas desta campanha.
Ponto inicial, marco de referência, 
Dos povoadores desta querência.

José Antônio Alves, vivia arranchado,
Entre dois galhos do rio Piratini.
Cuidando da lavoura e do gado,
Em três léguas de campo, por ai,
Filho da Ilha de Santa Catarina, 
Seguia sua vocação e sua sina,
Com Maria Antônia, seu bem querer,
Filha de Viamão, que a viu nascer.

Nos idos do ano de oitenta e oito, 
Chega o Azambuja, cabo de milícias,
Para notificá-lo, e com certo afoito,
Entrega o mandato de más notícias.
José, abre um demorado bocejo,
Ao ouvir a dura ordem de despejo,
Dada pelo comandante da fronteira, 
Deixando-o "sem eira nem beira".

Antônio José Feijó, o capitão,
Com ordens de Ribeiro, o coronel,
Leva o Xavier para fazer a medição
Do Cerro Pelado. Em seu papel, 
Traz dos casais, as nominatas, 
Dos que vão receber as datas.
Faz medir, marcar e dá posse,
Para que o casal viva ali e remoce.

Setecentas cinquenta de frente,
Por outras tantas braças de fundo,
Foi a área Régia presente,
A cada casal, no novo mundo,
Com a condição: de nela habitar
E com sua família trabalhar;
Não a vender, sem terem passados,
Cinco longos anos bem contados.

Oitenta e nove, do século dezoito,
Seis de julho, o dia está registrado:
Foi dada posse aos quarenta e oito
Casais; a cada um, o lote demarcado.
Vieram de longe- lá dos Açores,
Trazendo consigo- os seus amores,
Para na nova e estranha terra morar,
Com fé e sua descendência povoar.

Salve Nossa Senhora da Conceição,
Culto secular dos ilhéus povoadores,
Trazida com muito amor e devoção,
Do além-mar, das Ilhas dos Açores.
Legado de fé, dessa gente pioneira,
Que fizeram nossa Padroeira.
Seu santo nome, invocamos aqui:
Intercedei á Deus- por Piratini .

Autoria: Jayme Lucas D´Ávila, fonte Livro Povoadores de Piratini.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Prédios Históricos de Piratini 1

 Antiga Casa do Comendador Fabião, construção do século 19.
 Antiga Casa comercial dos Moreira Fabião, construída primeiramente para ser a Cadeia, na década de 1850.
Antiga sede da Estância Venda da Lata, onde havia um comércio, ao lado desta, pertenceu á Alberto Dutra de Farias, abastado dono de terras, no primeiro distrito de Piratini. Hoje encontra-se em ruínas.

Pegadas na Areia



Uma noite eu tive um sonho...

Sonhei que estava andando na praia com o Senhor,
E através do Céu, passavam cenas de minha vida.

Para cada cena que passava, percebi pegadas na areia;
Uma era minha e a outra do Senhor.

Quando a última cena de minha vida passou diante de nós,
olhei para as pegadas na areia,

Notei que muitas vezes no caminho da minha vida
havia apenas um par de pegadas na areia.

Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis
da minha vida.

Isso aborreceu-me deveras e perguntei então ao Senhor:

- Senhor, Tu me disseste que,
uma vez que eu resolvi Te seguir,
Tu andarias sempre comigo, todo o caminho,
- Mas notei que nos momentos das maiores atribulações do meu viver havia na areia dos caminhos da vida, apenas um par de pegadas.
- Não compreendo...
Porque nas horas em que eu mais necessitava Tu me deixastes?

O Senhor respondeu :
- Meu precioso filho, Eu te amo e jamais te deixaria nas horas da tua prova e do teu sofrimento.
Quando vistes na areia apenas um par de pegadas,
foi exatamente aí que
EU TE CARREGUEI EM MEUS BRAÇOS! 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Sobrado da Dorada


Construído por volta de 1830-1840 , este é o famoso Sobrado da Dorada, um dos mais belos exemplos de Arquitetura de nossa cidade.
Chegando em Piratini, no final da década de 1820, o médico francês José Afonso Gassier, casou-se com Florinda Pimentel de Melo, viúva de Francisco Moreira da Silva Verde, o qual foi signatário da Ata de Sessão Extraordinária da Republica Rio-Grandense, datada de 16 de novembro de 1837.
Ficando viúva deste primeiro esposo e tendo toda vida pela frente, Florinda casa-se com o Dr. Afonso, sendo este um dos casais mais abastados da época, uma vez que ela era neta de Vicente Lucas de Oliveira, um dos políticos e estancieiros da Vila de Piratinym.
Após o consórcio deste casal, os mesmo passam a residir em uma casa modesta á frente do atual sobrado.
O doutor começa á atender seus clientes e logo ganha a simpatia da população, em uma das épocas mais convulsivas da história de nosso estado: a Revolução Farroupilha.
Então, não levou muito tempo para que ele conseguisse juntar dinheiro para construir um suntuoso sobrado.
Foram trazidos da França azulejos, os quais ornamentam toda a  fachada, portas feitas com madeira de lei, portas com vidraças ornamentadas com desenhos, além de uma lareira de mármore branca, e os quatro animais, um cachorro, o qual foi o único que restou nos dias atuais, um tigre, um leão e um cabrito, em cima e quatro dos seis pilares que ficam em cima da denominada "açotéia", uma espécie de sacada, em cima do quarto no qual o médico atendia seus pacientes.
A residência era também onde aqueles que sem condições financeiras, ficavam aos cuidados do médico, tanto que esta açotéia servia também para deixar os pacientes tomarem Sol durante seu tratamento.
Muitas pessoas morreram neste residência, e por serem pobres, ou por outros motivos, eram sepultadas nos arredores do Sobrado. Daí partem ás inúmeras lendas de que este Sobrado seria assombrado.
Os anos passaram, e o casal não gerou nenhum filho, então decidiram adotar um menino, filho de parentes distantes de Florinda, chamado Affonso Cassiano Crespo, este que foi seu afilhado.
Na década de 1860, vendo que não havia um Cemitério Publico, para uso de pessoas menos abastadas, o doutor Gassier doa a comunidade um terreno para que seja construído o cemitério.
Então é fundado o Cemitério Santo Afonso de Ligório, o atual Cemitério Municipal, no final da década de 1860.
Conta-se que em seus fundos, havia uma fábrica de foguetes, pertencentes aos irmãos Gonzaga, a qual foi demolida anos mais tarde até os alicerces.
Os anos vão passando e a velhice começa a chegar para o casal, e então, já um homem feito, Affonso Cassiano, casa-se com a pelotense Maria Augusta Carvalho dos Santos,e os dois amparam o casal na velhice.
No início da década de 1890, o casal vem a falecer, sem filhos ou parentes próximos, o Sobrado então é deixado para Affonso, assim como os outros bens do casal.
Ali Afonsso e Maria Augusta criaram seus treze filhos, dentre estes, uma das mais novas, chamada Doralina, a qual todos conheciam por Dorada.
Dorada, nasceu no Sobrado, no ano de 1900, era uma das mais belas moças da cidade.
No final da década de 1920, Dorada casa-se com o italiano Humberto Gottuzzo, desta união surge apenas um filho, Affonso de Jesus.
No final da década de 1930 morre Affonso Cassiano e mais adiante, em 1948, morre Maria Augusta, ficando assim para Dorada, assumir o Sobrado.
Viúva, e com seu filho morando em Pelotas, Dorada resolve chamar uma de suas irmãs, Ambrozina, para morarem juntas, uma vez que ambas eram viúvas, aos cuidados de uma filha de criação.
Mas sempre haviam por ali seus irmãos ou sobrinhos, que seguidamente pernoitavam no Sobrado.
Já bastante idosa, Dorada, fica doente e morre no Sobrado.
Então passa a ser posse de seu filho, Affonso de Jesus, o qual aluga para várias pessoas o Sobrado.
Hoje em dia pertence á viúva de Affonso, D. Maria, e encontra-se em precárias condições de conservação, mesmo sendo patrimônio histórico, tombado pelo IPHAE.
Localiza-se na Rua General Neto, no Bairro Santa Izabel,em Piratini.
-Erasmo Bonotto Pinheiro Crespo